Adolescentes: Relógios desregulados
O resultado é que a maioria dos adolescentes provavelmente dorme pouco, dorme seguramente menos do que as nove horas de sono consideradas adequadas. Parecem muitas horas, mas a verdade é que o sono é vital para o bem-estar, é tão vital como comer, beber, respirar. O sono é, aliás, uma espécie de alimento para o cérebro: é durante a noite que ocorrem muitas das funções mais importantes do organismo. E quando o cérebro não recebe o alimento de que necessita o mais natural é que acabe por reclamá-lo quando menos se espera: daí a sonolência diurna.
E quando não se dorme o suficiente, facilmente se fica mais irritável, com mudanças de humor bruscas e improváveis noutras circunstâncias. A concentração e a aprendizagem são afectadas, o que pode comprometer o desempenho escolar. E quando os adolescentes já conduzem, aumenta o risco de um acidente: a sonolência diurna é uma das causas comprovadas de sinistralidade rodoviária.
É comum tentar compensar o sono perdido durante a semana com horas extra ao fim-de-semana. Parece mesmo a solução mais lógica, mas na realidade acaba por confundir ainda mais o relógio interno dos adolescentes.
Deitarem-se mais cedo do que o habitual, procurando forçar o sono, também não resulta: pelo contrário, acaba em insónia e cansaço.
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Para noites melhor dormidas
Significa isto que os adolescentes devem ficar à mercê do seu relógio interno e dos hábitos que são próprios desta idade de transição? Não! Pode não ser tarefa fácil, mas há algumas formas de promover a qualidade do sono. Antes de mais, é preciso que compreendam a verdadeira importância do sono: para quem tem pressa de viver, como é típico desta fase, dormir pode parecer um desperdício, mas as horas de sono constituem uma pausa essencial para o organismo.
Convém que os adolescentes se esforcem ao máximo por manter uma certa regularidade na hora de deitar, sobretudo quando têm aulas de manhã. Há excepções, naturalmente, mas mesmo aos fins-de-semana é útil manter a rotina.
Adormecer é mais fácil quando o ambiente no quarto é propício: em silêncio e na penumbra é o ideal, se necessário com a ajuda de cortinas ou persianas, mas não demasiado densas para que seja a luz matinal a dar sinal de que está na hora de acordar.
À noite são de evitar os estimulantes, o que inclui a cafeína (presente no café, mas também em muitos refrigerantes e bebidas achocolatadas). São bem conhecidos os usos da cafeína para as longas noites de estudo – as famosas directas – mas no dia-a-dia interfere com a qualidade do sono.
De evitar quando se aproxima a hora de dormir são igualmente as actividades que possam manter o estado de alerta, por provocarem alguma ansiedade ou agitação: é o caso dos jogos de computador ou consola. Já a leitura é mais aconselhada pois tem um efeito calmante.
Pode haver necessidade, uma vez por outra, de compensar uma noite mal dormida com uma sesta. Mas curta e nunca ao fim do dia, caso contrário dormir voltará a ser difícil na noite seguinte.

