Adolescentes: Relógios desregulados
Convém que os adolescentes se esforcem ao máximo por manter uma certa regularidade na hora de deitar, sobretudo quando têm aulas de manhã. Há excepções, naturalmente, mas mesmo aos fins-de-semana é útil manter a rotina.
Adormecer é mais fácil quando o ambiente no quarto é propício: em silêncio e na penumbra é o ideal, se necessário com a ajuda de cortinas ou persianas, mas não demasiado densas para que seja a luz matinal a dar sinal de que está na hora de acordar.
À noite são de evitar os estimulantes, o que inclui a cafeína (presente no café, mas também em muitos refrigerantes e bebidas achocolatadas). São bem conhecidos os usos da cafeína para as longas noites de estudo – as famosas directas – mas no dia-a-dia interfere com a qualidade do sono.
De evitar quando se aproxima a hora de dormir são igualmente as actividades que possam manter o estado de alerta, por provocarem alguma ansiedade ou agitação: é o caso dos jogos de computador ou consola. Já a leitura é mais aconselhada pois tem um efeito calmante.
Pode haver necessidade, uma vez por outra, de compensar uma noite mal dormida com uma sesta. Mas curta e nunca ao fim do dia, caso contrário dormir voltará a ser difícil na noite seguinte.
O que está completamente desaconselhado para adolescentes é a toma de medicamentos para induzir o sono. Em casos pontuais e na presença, por exemplo, de distúrbios do sono clinicamente diagnosticados, poderão ser prescritos pelo médico, mas não devem ser tomados por iniciativa própria.
É um facto que, nalgumas situações, a excessiva sonolência diurna de um adolescente pode não ser apenas da responsabilidade do relógio interno.
Pode haver um problema: pode ser um efeito secundário de medicamentos, um sinal de depressão, um distúrbio do sono como a narcolepsia ou a apneia do sono.
Se os hábitos de sono suscitarem preocupação, nomeadamente por estarem a interferir com o quotidiano, o melhor é ir ao médico: se houver algum problema subjacente, o tratamento adequado é meio caminho andado para uma boa noite de sono.
Fazer um adolescente ir para a cama é tarefa árdua e ingrata para os pais.
Resistem até mais não, mesmo quando não há tarefas para terminar: ficam em frente ao computador ou à televisão ou à consola de jogos, quantas vezes flagrantemente insones, mas nada de se deitarem… E de manhã, nova tarefa árdua: acordá-los. Reclamam o sono que não dormiram, adiando ao máximo o momento de se levantarem para ir para a escola. E quando saem de casa ainda vão meio a dormir e assim permanecem muitas vezes nas aulas…
Serão preguiçosos? Estarão a desafiar as regras? Não, o que acontece é que este padrão de comportamento tem uma causa fisiológica: é consequência da puberdade. Todos nós temos um relógio interno que, entre outras funções, influencia a temperatura do corpo, o apetite e os ciclos de sono. Uma criança sente, normalmente, sono pelas nove ou dez horas da noite, às vezes antes. Mas a puberdade atrasa o relógio, adiando a hora a que o adolescente começa a ter vontade de dormir. A esta razão interna juntam-se depois factores externos, relacionados com o modo de vida: o estudo (deixado para o fim do dia ou prolongado em véspera de testes e exames, por exemplo) e a socialização fá-los deitarem-se ainda mais tarde.

