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Estarei deprimido?

10 Abril, 2007 0

São cada vez mais frequentes os doentes que consultam o médico com queixas depressivas. Pensa-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens, possam vir a ter crises depressivas durante a vida desde a juventude até à terceira idade.

A criança também pode ser afectada. No entanto o que se verifica é que de um modo geral, o doente só recorre aos técnicos de saúde mental (Psiquiatra ou Psicólogo Clínico) em última instância depois de esgotar todas as outras especialidades clínicas. Este facto leva a que os doentes só consultem um especialista quando a doença já está de tal modo avançada que a sua recuperação se desenvolve de modo difícil e muito lento.

Assim, torna-se fundamental para o êxito terapêutico, o reconhecimento precoce da síndrome depressiva (caracterizada por estados de tristeza e de ansiedade, inibição do pensamento, inibição ou agitação psicomotora e alterações somáticas).

Faça uma pequena auto-avaliação ao seu estado e avalie as suas opções para uma vida melhor e mais saudável…

1. Tenho várias queixas somáticas (do corpo) mas não psíquicas?

Existem vários tipos de depressão. É frequente o doente procurar o seu médico de família (ou de confiança) devido a queixas somáticas (do corpo) como as dores de cabeça ou o cansaço excessivo. Se após exames de rotina como um ECG ou exames laboratoriais, não existirem dados que sustentem outra patologia, deve ter em conta a existência de uma depressão “lavrada”, “mascarada” ou “latente”.

Este é um subtipo de depressão bastante frequente mas reconhecida muito tarde ou nunca, devido ao facto das perturbações somáticas estarem em primeiro lugar e desviarem assim o médico não especialista do diagnóstico correcto. Na depressão as sensações corporais ficam alteradas, o doente sente o medo e a tristeza no próprio corpo.

Esta impressão pode manifestar-se como uma sensação de peso ou de dor na região do coração ou do estômago. Há ainda doentes que sentem um aperto na garganta ou no peito. A cabeça pode estar por vezes tão pesada como chumbo.

2. Ainda sou capaz de me alegrar?

Se respondeu “não” a esta pergunta, por si só, já é provável que possua uma síndrome depressiva. A tristeza é, frequentemente o sintoma predominante num doente que sofre de uma depressão. Os doentes estão sem esperança, sem alegria, não vêm caminho nenhum para o futuro. O presente parece não ter fim. Por vezes os doentes são incapazes de exprimir ou de sentir esta tristeza.

Dizem então que “não conseguem estar tristes”, que tudo parece estar vazio, morto, como que fossilizado. Nestes doentes existe também a sensação de “não poder chorar” ou a de “não poder sentir”. A falta de tristeza subjectiva é muitas vezes acompanhada por “vazio interior” ou por uma “sensação de insensibilidade”.

3. Ultimamente tem sido difícil ocupar-me com qualquer coisa? Deixei de ter interesse por tudo? Sinto-me fatigado e com falta de energia?

O depressivo queixa-se de constante fadiga, de falta de forças e de energia. Este mal-estar do corpo faz com que a mais pequena tarefa (seja levantar da cama ou vestir-se) se apresente como um sacrifício e equivalente a mover um móvel pesado sozinho.

Em grande parte, a actividade psicomotora é caracterizada pela iniciativa e é precisamente esta iniciativa que está inibida em muitos doentes depressivos: são moles, desinteressados, indiferentes, passivos e a capacidade de trabalho está reduzida.

4. Tenho andado mais pensativo, ansioso e irritado? Ultimamente tem-me sido difícil tomar decisões? Atormenta-me a ideia de levar uma vida sem sentido?

Paralelamente com a tristeza, os doentes mostram frequentemente uma sensação de ansiedade e indecisão. Na maioria dos casos trata-se de uma ansiedade indefinida, um medo global. Os doentes não conseguem precisar do que têm medo.

Estão também mal-humorados e irritados. Recusam asperamente os conselhos bem intencionados, podendo este humor desequilibrado transformar-se em agressividade.

Devido à visão pessimista da vida que o depressivo possui, muitas vezes, prefere que outros tomem as decisões por ele. É usual não conseguir pensar no futuro por pensar que por mais que faça, tudo irá correr pelo pior.

5. Custa-me pensar?

A inibição do pensamento constitui um sintoma muito importante da doença depressiva. O acto de pensar é lento e difícil. Todo o pensamento é monótono e improdutivo, girando quase sempre em volta da doença. O raciocínio está lento e a concentração diminuída.

Os doentes até são capazes de exprimir esta perturbação do raciocínio referindo que têm vontade de exprimir qualquer coisa e de concentrar-se, no entanto têm a sensação de que há um obstáculo a impedi-los.

6. Tenho tido dificuldade em adormecer?

As perturbações do sono ocupam muitas vezes o primeiro lugar das queixas de doentes depressivos. O início de uma doença depressiva é frequentemente acompanhado de dificuldades em adormecer.

Mais tarde observam-se principalmente perturbações do sono com acordar precoce. Quando o sono não é continuo, mas sim interrompido, os doentes sentem-se fatigados e cansados e na manhã seguinte têm a sensação de não ter dormido durante a noite.

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