Especial Alimentação Saudável: Desafios à mesa
A obesidade poderá também ser considerada como um estado de desnutrição porque um indivíduo poderá ter excesso de gordura mas apresentar uma dieta pobre noutros nutrientes, nomeadamente, de vitaminas e minerais.
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PESO A MAIS, BONS NUTRIENTES A MENOS
O excesso de peso significa que a alimentação não está a ser correcta. E os pais devem ter consciência do papel que assumem em todas as questões da vida nos filhos, começando pela prevenção da obesidade infantil. “Devem dar o exemplo e adoptar, em todas as refeições ao longo do dia, um padrão alimentar saudável – obviamente, será difícil convencer uma criança a comer fruta à sobremesa, se mais ninguém lá em casa o fizer”, fundamenta a Dr.ª Clara Matos, Secretária – Geral da Associação Portuguesa dos Nutricionistas e nutricionista do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE .
Uma alimentação saudável deve começar logo pela primeira refeição do dia. “O dia deve começar com um pequeno-almoço equilibrado e completo, na primeira hora da manhã. Depois, ao longo do dia, é fundamental não estar mais do que 3 – 3,5 horas sem comer, e assegurar que o jejum nocturno não ultrapassa as 10 horas”, aconselha Clara Matos. Para além de escolher convenientemente os alimentos, é importante saber escolher os métodos e técnicas culinárias mais saudáveis. “As refeições devem ser planeadas com antecedência, procurando receitas de alimentação saudável, com uma culinária simples e agradável, dando preferência aos cozidos, grelhados, estufados em cru sem refogado prévio, ou assados simples, em papel de alumínio, com limão, tomate e ervas aromáticas. Devem ser evitadas, sempre que possível, confecções culinárias muito exigentes em gordura, como os fritos, refogados, assados no forno”, adianta a nutricionista.
O QUE ESCOLHER EM TODAS AS REFEIÇÕES?
As refeições do almoço e jantar devem começar sempre com uma sopa de legumes, e os legumes, para além de serem comidos na sopa, devem também ocupar metade do prato principal. “A carne e o peixe devem ser consumidos na quantidade indispensável, e nada mais do que isso, e dando preferência ao peixe e carnes brancas.
Relativamente ao pão, batata, arroz, massa e leguminosas secas, podem e devem estar presentes na alimentação. Quanto à fruta, cerca de três peças por dia, que podem ser comidas à sobremesa ou nas refeições intercalares”, explica Clara Matos. A regra de ouro passa por variar, o mais possível de alimentos, não comer sempre as mesmas hortaliças, os mesmos legumes, as mesmas frutas, as mesmas carnes ou os mesmos peixes.
Os maus comportamentos alimentares têm como sentença a obesidade que, actualmente, “já ultrapassou largamente o problema da subnutrição a nível mundial, e é já considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia global do século XXI, estimando-se que em 2025, mais de 50% da população mundial será obesa”, alerta Clara Matos. As estatísticas não deixam margem para dúvidas: “a obesidade definitivamente cruzou fronteiras e deixou de ser uma realidade que até há pouco tempo apenas os EUA e poucos outros países, conheciam de perto. Aliás, Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças obesas e com excesso de peso”, acrescenta a nutricionista.

