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É importante diagnosticar precocemente a DPOC

21 Maio, 2012 0

DPOC é o acrónimo do termo “Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica” que denomina uma das mais importantes doenças respiratórias. E esta denominação diz quase tudo sobre a doença: que é uma doença que afecta os pulmões, em que há uma obstrução que causa dificuldade à passagem do ar através dos brônquios e que tem carácter de cronicidade. É, além disso, uma doença progressiva e irreversível.

É das doenças mais importantes da actualidade, não só pelo número de pessoas que afecta – mais de 300 milhões – como pelos diversos impactos que tem: pessoais, profissionais, sociais, económicos e sobre as estruturas da saúde. No nosso país, as estimativas feitas no ano de 2002 apontavam para valores da ordem das 600.000 pessoas afectadas; porém, estudos mais recentes, realizados em 2010, apontam para valores superiores a um milhão de doentes.

Esta diferença vem confirmar a ideia generalizada de que a doença se encontra em crescimento e que está subdiagnosticada.

Outro aspecto importante da DPOC é o da sua gravidade, que pode ser aferido pela mortalidade. Sendo actualmente a sexta causa de morte a nível mundial, a 5.ª na Europa e noutros países desenvolvidos, as previsões apontam para que daqui a 20 anos, em 2030, suba para 3.º lugar no ranking da mortalidade humana. Porém, nalguns países a realidade superou as estimativas; por exemplo, nos EUA, a DPOC é já a terceira causa de morte.

Entre as suas causas, o tabagismo apresenta uma importância determinante, de tal modo que o termo DPOC se confunde com o tabagismo.

Sendo uma doença progressivamente incapacitante, que conduz o doente a um estado de dependência, torna-se fundamental intervir atempadamente a fim de se poder travar a degradação irreversível da função respiratória. E, nesta perspectiva, duas atitudes são cruciais: diagnosticar precocemente a doença e parar o hábito de fumar.

Ao contrário de outras doenças o diagnóstico precoce da DPOC é fácil. Faz-se através de um exame designado por espirometria, também conhecido como o “teste do sopro”. Este teste, que mede o fluxo de ar nos pulmões, faz-se pedindo ao doente que encha totalmente os pulmões, coloque o tubo do aparelho na boca e que sopre com a máxima força, até sentir que não tem mais ar para libertar.

Para além desta extrema facilidade, a espirometria é um exame que permite, não só fazer o diagnóstico como avaliar o estado de gravidade da doença. Sendo um exame barato, já que o equipamento necessário é relativamente acessível, possibilita a realização de rastreios respiratórios a grandes grupos populacionais.

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No nosso país algumas organizações têm tido a preocupação de promover estes rastreios. A Fundação Portuguesa do Pulmão é uma das que os tem realizado um pouco por todo o país, dirigidos, quer à população geral, quer a grupos de risco particulares, como por exemplo, fumadores e pessoas socialmente fragilizadas.

Mas era importante que o Serviço Nacional de Saúde tivesse a capacidade de o fazer de forma sistemática. Para isso seria necessário implementar uma Rede Nacional de Espirometria, sediada nos Cuidados de Saúde Primários e com cobertura nacional. Esta rede teria como agentes de intervenção os médicos de Medicina Geral e Familiar, cardiopneumologistas e pneumologistas, estes, em sistema de apoio e consultadoria.

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