Doenças cardiovasculares » Os inimigos escondidos
Conheça os factores de risco silenciosos que podem matar e aprenda a proteger-se. Apesar da crescente informação sobre os factores de risco das doenças do coração, Portugal acompanha a tendência verificada no resto do mundo no que respeita à prevalência das doenças cardiovasculares como principal causa de morte.
O Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Dr. Daniel Ferreira, explica que se “trata de uma doença multifactorial, com factores de risco agrupáveis em dois conjuntos: os factores não modificáveis, que se caracterizam por não podermos fazer nada para alterá-los, como a idade, o género (se é homem ou mulher), a hereditariedade, e os factores modificáveis”.
Nestes, “há os que as pessoas conhecem – têm consciência se fumam ou não, se pesam muito ou não – e os que passam despercebidos, como a hipertensão, o colesterol e outras gorduras do sangue e os níveis de açúcar, no caso dos diabéticos”.
Para o Dr. Daniel Ferreira, “estes três são perigosos porque são silenciosos. Se as pessoas não fizerem as análises de rotina com regularidade e não procurarem o seu médico, podem estar em risco sem saberem. Às vezes não é fácil ter noção do risco, daí que se insista na mensagem: visite o seu médico, faça os exames de rotina, saiba se está em risco e reduza-o!”.
As doenças do coração atingem mais os homens ou as mulheres?
Esta é uma questão que a SPC desmistifica. “Em primeiro lugar, há a falsa ideia de que as doenças cardiovasculares são doenças dos homens, o que não é verdade. Esta doença é tanto dos homens, como das mulheres. Habitualmente, nas mulheres, acontece cerca de uma década mais tarde.
É mais perigoso e a mortalidade maior, precisamente porque, em média, são dez anos mais velhas”, diz o Dr. Daniel Ferreira. A mesma opinião é partilhada pelo Vice-Presidente da SPC, Prof. Carlos Perdigão. “É necessário desmistificar o conceito, ainda muito generalizado, de que a doença cardiovascular é um problema dos homens. Alguns mal entendidos poderão estar na base desta ideia.
O reconhecimento de que a doença cardiovascular surge na mulher, em regra dez anos mais tarde do que no homem traduz-se num adiar das medidas de prevenção e nas acções de diagnóstico, no convencimento de que há tempo para isso”. E “também pela preocupação exclusiva, que se observa em muitas esposas, com a saúde dos maridos”.
O BemMeQuero consiste num programa da SPC com o objectivo de educar as mulheres portuguesas e sensibilizar os profissionais para as doenças cardiovasculares, factores de risco e as medidas de prevenção que se devem desenvolver.
Passaporte para a Vida
O “Passaporte para a Vida” constituiu a primeira iniciativa da SPC dedicada à população. “ Trata-se de um kit de informação aos doentes submetidos a um cateterismo cardíaco e a quem tinha sido realizada uma angioplastia – a dilatação dos apertos que tivessem nas artérias coronárias”, explica o Dr. Daniel Ferreira. Esse kit de informação é composto por um passaporte – pequeno desdobrável onde estão assinaladas as dilatações que foram feitas e em que artérias -, bem como os resultados dessa intervenção.
“O doente que já fez angioplastia anda com o passaporte na carteira para o caso de precisar dessa informação. É fornecido também um livro e uma brochura a cada doente. Com o apoio da Novartis, “o kit é gratuito”.
Ande 30 minutos por dia
Aumentar o exercício físico, diminuir o stress, na medida do possível, e perder peso são esforços essenciais. É muito difícil mudar o estilo de vida quando se tem 40, 45 anos, mas se reservar ao longo da semana uns períodos para descontrair, para passear, para andar, os ganhos são imensos. Tudo o que tenha muito movimento e pouca força é mais saudável do que tudo o que tenha muita força e pouco movimento. O que recomendamos é tão simples quanto isto: andar entre 30 minutos e uma hora por dia é suficiente.
Dr. Daniel Ferreira
Secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Programa de redução activa dos factores de risco
Não comece a fumar! Se já começou, pare já hoje!
Regra número um: não comece!
Regra número dois: pare já hoje!
Alimentação saudável
No nosso País, a alimentação tradicional é, em regra, saudável. Evite a “comida rápida”. Reduza o consumo de excitantes (café, chá preto), doces e bebidas açucaradas. Beba bebidas alcoólicas com moderação.
Exercício físico
Mantenha uma actividade física moderada e regular. Caminhar em passo mais ou menos rápido é um hábito saudável e fácil de implementar.
Vigie o seu peso
O excesso de peso é uma condição cada vez mais frequente e que surge relacionado com a alimentação desregrada e a falta de actividade física. É um factor de risco de diversas doenças, incluindo as cardiovasculares.
Trate adequadamente os factores de risco que lhe tenham sido identificados. Se tem a pressão arterial elevada, o colesterol elevado ou é diabético, dê uma atenção especial a essas condições, vigie regularmente os seus valores, aconselhe-se com o seu médico, colabore com ele, siga as suas indicações e tome regularmente os medicamentos que lhe indicou.
Prof. Carlos Perdigão
Vice-Presidente do Sul da Sociedade Portuguesa de Cardiologia
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