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Desabafar (des)gostos para a tela

1 Março, 2005 0

O terapeuta ocupacional reabilita o doente para a função

Integração na família, na sociedade, no emprego ou na escola. Esta é a meta dos terapeutas ocupacionais, que actuam ao nível da avaliação (diagnóstico) e ao nível de tratamento dos doentes.

São profissionais de reabilitação que estão integrados numa equipa multidisciplinar. Por exemplo, no Hospital do Barreiro, além da Dr.ª Ana Marques, a equipa é composta por um psiquiatra, um enfermeiro e uma psicóloga clínica. Caso se justifique, os doentes podem também ser acompanhados por outro especialista. Veja-se o caso da Sónia, que recebe apoio de uma nutricionista.

«Avaliamos as capacidades cognitivas, sensoriomotoras e psicossociais, incluindo o desempenho ocupacional no trabalho, na autonomia das actividades quotidianas ou no desempenho escolar», observa Ana Marques, acrescentando:

«Numa fase posterior, reabilitamos o indivíduo para a função, trabalhando as áreas de desempenho avaliadas, através de várias técnicas e actividades. Aliás, as actividades são uma forma de possibilitar a concretização das próprias capacidades, no sentido de melhorar a sua autonomia pessoal, organização e satisfação do seu tempo de lazer e das suas actividades laborais ou produtivas, desenhando-se um programa de tratamento de terapia ocupacional individualizado e específico que responde às necessidades de interesses de cada caso.»

As sessões de terapia ocupacional são, pois, um espaço que possibilita o autoconhecimento e reforço das capacidades. Gradualmente, o doente vai melhorando, através de um processo contínuo em que também estabelece uma relação sólida e de confiança com o terapeuta.

Anorécticos,
os falsos gordos

Geralmente, a anorexia nervosa surge no final da adolescência, um período um tanto ou quanto conturbado, em que inúmeros acontecimentos ocorrem a uma velocidade estonteante,
incidindo predominantemente no sexo feminino.

Trata-se, pois, de um distúrbio alimentar caracterizado pelo baixo peso corporal para a idade e altura. Além do mais, o indivíduo apresenta um medo intenso de ganhar peso, apesar do baixo peso. Ou seja, tem uma imagem distorcida de si próprio e, no caso das mulheres, há uma ausência de período menstrual (amenorreia). Tudo isto resulta na incapacidade para trabalhar, estudar ou de socialização.

A etiologia é quase sempre multifactorial, ou seja, podem ser vários os factores que condicionam o seu aparecimento. Também depende de alguns autores, mas, segundo indica Ana Marques, existem três aspectos principais que induzem ao aparecimento da anorexia nervosa. A saber:
– As sociedades ocidentais determinam como padrão de beleza feminino um corpo magro;
– Conflitos familiares, ou seja, perturbações na comunicação familiar ou por superprotecção, ou devido a uma rigidez ou, ainda, por conflitos não resolvidos no seio da família;
– Existência de uma personalidade caracterizada pela baixa de auto-estima, pensamentos contraditórios e autodepreciativos; por uma necessidade de perfeccionismo muito grande e por dificuldade de adaptação na sociedade.

Quanto ao tratamento, «na fase inicial, é importante o papel da nutricionista, porque enquanto o doente não restaurar o peso e não tomar consciência que está realmente magro e que necessita ganhar peso é impossível trabalhar outras áreas», refere a mesma terapeuta ocupacional.

«Depois de restaurar o peso, o anoréctico é ajudado a alterar os mecanismos de comportamento, pois, vê-se gordo quando está magro. É reconhecido pela maioria dos autores que a abordagem deve ser uma
conjugação do tratamento médico comportamental e psicodinâmico para restaurar o peso e alterar efectivamente o mecanismo de funcionamento psíquico do paciente anoréctico», frisa Ana Marques.

Neste Hospital de Dia, por exemplo, as refeições são tomadas em grupo, junto de outros pacientes que se alimentam naturalmente – o que só por si representa um esforço para o doente anoréctico se alimentar. Aqui é fundamental a intervenção do nutricionista e/ou dietista.

Todavia, segundo informa Ana Marques, «concomitantemente, são utilizadas outras formas de abordagem em grupo, como sejam a psicoterapia de grupo e a terapia ocupacional, em que se incluem as sessões de movimento, relaxamento, treino de aptidões sociais, incidindo nos treinos de afirmação pessoal e controlo de stress, as técnicas criativas ou projectivas, como o desenho e a pintura. Já a psicoterapia individual, feita pelo médico psiquiatra, é introduzida na fase em que o paciente já adquiriu alguma capacidade de crítica para a sua situação».

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