Arquivo de anorexia - Médicos de Portugal

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Um dia de cada vez<br /> <br /> Sónia Isidoro nasceu em Lisboa <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/h';" onMouseover="fixedtooltip(6002, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">h</span>á 27 anos, vive com os pais no Barreiro e há um ano que frequenta o Hospital de Dia do Departamento de <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/psiquiatria';" onMouseover="fixedtooltip(9941, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">Psiquiatria</span> e Saúde <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/mental';" onMouseover="fixedtooltip(10122, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">Mental</span> do Hospital de Nossa Senhora do Rosário.<br /> <br /> «Comecei a ser seguida por uma psicóloga porque <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/tinha';" onMouseover="fixedtooltip(11460, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">tinha</span> uma depressão. Mais tarde, foi ela que detectou indícios de <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/anorexia';" onMouseover="fixedtooltip(877, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">anorexia</span> nervosa», diz esta jovem, continuando:<br /> <br /> «Julgava-me gorda e só as outras pessoas é que notavam a minha magreza. Havia alturas em que recuperava <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/peso';" onMouseover="fixedtooltip(8771, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">peso</span>, mas rapidamente voltava a perdê-lo. Creio que tenho esta <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/patologia';" onMouseover="fixedtooltip(8287, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">patologia</span> desde os meus 13 ou 14 anos e nem sei porque começou.»<br /> <br /> Sónia admite que ainda é anoréctica, mas confessa sentir-se mais equilibrada no que diz respeito à alimentação.<br /> <br /> Quanto à auto-estima, comenta:<br /> <br /> «Embora a exposição e a pintura tenham contribuído para levantar a auto-estima, é complicado porque continuo um pouco em baixo. Estive muito tempo em depressão, por isso tenho a noção de que não é de um dia para o outro que vou ficar com a auto-estima elevada e olhar-me ao espelho e sentir-me bem.»<br /> <br /> E continua:<br /> <br /> «Mas vou conseguir... tenho de viver um dia de cada vez. Se quem sofre de uma doença como esta quer tudo de uma vez e eleva o ego de repente só porque melhora, e por isso julga que <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/j';" onMouseover="fixedtooltip(7123, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">j</span>á está muito bem, ao fim de algum tempo volta ao mesmo.»<br /> <br /> <br /> <br /> Desabafar para a tela<br /> <br /> «Sinto muita coisa, é uma espécie de fuga a certos pensamentos», menciona Sónia Isidoro, referindo-se à actividade que recentemente descobriu nas sessões de <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/terapia';" onMouseover="fixedtooltip(11286, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">Terapia</span> Ocupacional.<br /> <br /> A jovem, que tem como pintora preferida Frida Kahlo, completa:<br /> <br /> «Para certas pessoas, a pintura é uma distracção; para mim, é um refúgio de pensamentos negativos, é um modo que encontrei para me controlar, para desabafar. É também uma terapia, iniciada com a <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/terapeuta';" onMouseover="fixedtooltip(11284, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">terapeuta</span> Ana Marques, que faz parte da minha reabilitação.»<br /> <br /> Talvez por serem desabafos é que tenha sido estranho para a Sónia ter exposto «partes de si <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/pr';" onMouseover="fixedtooltip(9619, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">pr</span>ópria» para anónimos.<br /> <br /> «As pinturas são aquilo que sinto, que sou, são também aquilo que digo aos <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/t';" onMouseover="fixedtooltip(11098, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">t</span>écnicos nas sessões terapêuticas», confessa a autora dos 20 quadros, acrescentando:<br /> <br /> «É provável que quem viu as pinturas não fizesse a mínima ideia do significado das mesmas. Viam “coisas” desenhadas, mas eu sei o estado de espírito com que estava, o dia em que pintei determinada tela e a fase do <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/tratamento';" onMouseover="fixedtooltip(11947, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">tratamento</span>. Expor os quadros foi como “cuspir” pedaços de mim.»<br /> <br /> De facto, a exposição foi mais uma fase da sua reabilitação.<br /> <br /> «Levámos a ideia da exposição em conjunto. Depois, o projecto concretizou--se, mas só na altura em que vendeu o primeiro quadro é que a Sónia teve a concretização e a consciência exacta desta iniciativa», explica a Dr.ª Ana Marques, terapeuta ocupacional do Hospital de Nossa Senhora do Rosário (Barreiro).<br /> <br /> A este respeito, Sónia comenta:<br /> <br /> «Quando vendi o primeiro quadro (“O Jarro”), não fiquei contente com o dinheiro, mas sim porque uma pessoa estranha gostou e deu o devido valor a algo que fiz. Além disso, pela maneira como falou, julgo que compreendeu o meu trabalho e com que objectivos e sentimentos fiz a exposição.»<br /> <br /> Como reforça Ana Marques, «o <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/objectivo';" onMouseover="fixedtooltip(8457, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">objectivo</span> da exposição era realmente a afirmação pessoal e o reforço da auto-estima da Sónia e posso dizer que isso foi conseguido».<br /> <br /> <br /> <br /> Acordar para a vida<br /> <br /> A descoberta de um dom artístico não foi o único benefício para esta utente do Hospital Nossa Senhora do Rosário. <br /> <br /> «Quando iniciei o tratamento era um “bicho-do-mato”, não conseguia fazer nada, não <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/via';" onMouseover="fixedtooltip(4345, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">via</span> futuro e não me conseguia equilibrar como pessoa», conta Sónia Isidoro.<br /> <br /> Acontece que, em pleno século XXI, ainda existem estigmas e preconceitos por parte da sociedade em relação a quem sofre de uma doença do foro psicológico.<br /> <br /> «Muitas pessoas pensam que quem tem problemas mentais não tem capacidade para fazer nada. Julgam que estamos perdidos, vêem-nos como uns “coitadinhos” que têm de ser entorpecidos com comprimidos e rotulam-nos como malucos porque vamos ao <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/psiquiatra';" onMouseover="fixedtooltip(9940, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">psiquiatra</span>. Na terapia ocupacional aprendemos que não é bem assim, aprendemos a fugir aos medos, a controlá-los e a combatê-los, a descobrir talentos, a planear o futuro, a comunicar, e constatamos que somos aptos para o mundo escolar ou laboral», desabafa Sónia, prosseguindo:<br /> <br /> «Através da terapia ocupacional, descobri facetas que não conhecia, pois, há certos aspectos que só se fica a conhecer se existir alguém que consiga incentivar pela positiva e aqui encontrei muitas pessoas que me ajudaram nesse sentido. Vimos para cá como que adormecidos para a vida, depois começamos a acordar.»<br /> <br /> Quando terminou o 12.º ano, a admiradora de Frida Kahlo tirou um curso técnico de Informática. Foi igualmente na terapia ocupacional que descobriu não ser essa a sua vocação.<br /> <br /> Apesar de ainda não se sentir preparada para ingressar no mercado de trabalho, revelou que vai procurar emprego nas áreas com as quais mais se identifica.<br /> <br /> «<span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/gosto';" onMouseover="fixedtooltip(5926, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">Gosto</span> de trabalhar com crianças, de pintura, de artes. Gostava de trabalhar numa galeria de arte, por exemplo», reforça Sónia Isidoro.<br /> <br /> Por enquanto, ainda frequenta o Hospital de Dia, essencial para a sua reabilitação, com acompanhamento do psiquiatra, <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/enfermeiro';" onMouseover="fixedtooltip(4610, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">enfermeiro</span>, terapeuta ocupacional e <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/nutricionista';" onMouseover="fixedtooltip(8446, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">nutricionista</span>. Porém, está para breve o dia em que deixará de ter esta dependência diária para começar a usufruiu de apoio apenas esporadicamente.<br /> <br /> No que diz respeito à pintura, Sónia tem a noção clara de que a vida de artista não é <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/f';" onMouseover="fixedtooltip(5165, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">f</span>ácil, por isso deseja continuar a pintar, mas como actividade <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/l';" onMouseover="fixedtooltip(7201, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">l</span>údica.<br />


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