Depressão: Acordar de um sonho mau
Absentismo e incapacidade laboral
Actualmente, esta doença “é uma das causas mais importantes de incapacidade laboral e pessoal. Responsável por parte do absentismo e uma das causas mais importantes de reforma antecipada em Portugal, sobretudo em mulheres, produz um marcado sofrimento pessoal e que provoca dificuldades de memória e de concentração”, explica Maria Luísa Figueira.
O que acontece é que, muitas vezes, as pessoas deprimidas têm de ficar de baixa para tratamento durante um longo período porque não conseguem dar resposta adequada às tarefas e exigências profissionais, sentindo-se culpabilizadas por não darem rendimento. “Se trabalham em casa podem sentir falta de energia para as tarefas domésticas, tendo dificuldade em levantar-se de manhã. Podem ter perda de apetite e emagrecerem, ou, pelo contrário, sentir muito apetite e comerem sem controlo, levando a um aumento de peso.” À medida que a doença evolui, se não há uma remissão completa dos sintomas, as pessoas podem manter algum grau de incapacidade e, dependendo da sua actividade laboral, podem ter de ser objecto de uma reforma antecipada. “Apesar disso, uma percentagem significativa de pessoas com depressão melhora e pode retomar a sua vida normal desde que os tratamentos sejam feitos precocemente e sejam adequados”, esclarece a psiquiatra.
Mas não é só neste sentido que os factores económicos influenciam a depressão. “Nas situações de catástrofe o sentimento mais dominante é o medo e a ansiedade. A desesperança e o desânimo colectivos manifestam-se principalmente nas situações de crise económica, nas quais o bem-estar, a sobrevivência e o estilo de vida das pessoas são ameaçados”, refere a psiquiatra.
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Diagnosticar para bem tratar
O diagnóstico é sempre feito pelo relato das experiências subjectivas do doente e pelos sintomas descritos (emocionais e físicos). “Aspectos como o comportamento observável (fisionomia, comportamento geral) também contribuem para o diagnóstico. Não há exames complementares de diagnóstico que nos possam ajudar no diagnóstico. Este é um diagnóstico meramente clínico”, refere Maria Luísa Figueira.
E se a designação da doença que uma pessoa tem é de extrema relevância, o tratamento adequado assume clara importância. Os tratamentos dividem-se em farmacológicos e psicológicos:
– “A psicoterapia (individual ou de grupo) tem sido utilizada com eficácia, principalmente a terapia cognitivo-comportamental em depressões ligeiras a moderadas. No entanto, é mais eficaz se associada a antidepressivos. Estes fármacos são a primeira escolha num tratamento antidepressivo e têm uma eficácia demonstrada através de ensaios em que foram envolvidas muitas centenas de doentes”, assinala a psiquiatra.
– “Hoje dispomos de uma variedade importante destes fármacos, mais seguros dos que existiam no passado e com eficácia semelhante”, esclarece a especialista. “No entanto, é preciso anotar que nem todos os doentes respondem da mesma maneira aos antidepressivos, e por isso temos de dispor de uma variedade de moléculas anti-depressivas com acções diversificadas nos neurotransmissores do Sistema Nervoso Central e muitas vezes tem de se fazer mais do que uma tentativa com fármacos de grupos diferentes para obter resultados”, explica Maria Luísa Figueira. Muitas vezes, tal como acontece na hipertensão, não é o primeiro fármaco a resultar e procura-se um que se adeqúe às necessidades de cada organismo e de cada pessoa. “O médico deve explicar a doença, os sintomas e esclarecer o plano de tratamento. O doente ficará assim mais apoiado e tem mais probabilidades de obter uma remissão dos sintomas”, conclui.

