Depressão: Acordar de um sonho mau
O marido e os filhos sempre acompanharam as suas depressões. Isabel até se consegue colocar no lado dos familiares e pensar no que sentem perante a sua doença, mas fica tão cansada que, pura e simplesmente, não reage.
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A depressão que chega mas que também passa
Isabel hoje está bem mas amanhã pode estar deprimida. A doença “vaivém”, como ela própria a denomina. “A depressão demora a passar, mas passa… No entanto, continuo a tomar medicação como forma de prevenção e todas as manhãs tomo mais um anti-depressivo”, diz-nos. Isabel é um exemplo de que a adesão à terapêutica é uma óptima aliada para evitar novas crises. Além disso, confessa que não tem efeitos secundários com a medicação e que mantém sempre um acompanhamento psiquiátrico.
Trabalhar torna-se impensável. As baixas psiquiátricas sucedem-se e Isabel confessa que, “se vivesse sozinha, nem conseguiria alimentar-me”. Quando está deprimida, sente-se vazia. “É como um balão cheio de ar que alguém pica e que começa a esvaziar.” Por outro lado, confessa que “acordar da depressão é muito bom porque anteriormente parece que estive morta” e sente que renasceu. E, de facto, a vida parece voltar a fazer sentido. Isabel volta a ir ao cinema, a passear, a fazer tudo aquilo que lhe dá prazer.
Ninguém encontra explicação porque Isabel, de um momento para o outro, se sente assim. Sem forças. Impotente. Sem reacção. “Gostava de não ter esta doença”, diz-nos. Ainda assim, assume-se como uma mulher positiva que gosta de viver o dia-a-dia e a quem não se esperaria um diagnóstico depressivo. “Assumo a minha doença sem problema e quando estou em fase de recuperação quero fazer muitas coisas ao mesmo tempo.” Depois da fase em que esteve meio “adormecida”, Isabel ganha energia e quer aproveitar todos os minutos… Sem esperas.
Para quem sofre do mesmo problema, aconselha a procura de ajuda especializada. “Devem ir ao médico, tomar a medicação e ter esperança, porque esta doença tem tratamento. Ainda assim, não ignorem a continuidade de acompanhamento especializado depois de recuperarem”, conclui.
Como se manifesta?
Esta doença manifesta-se de várias formas. “As pessoas podem ter um único episódio de depressão ao longo da vida (geralmente posterior a um acontecimento de vida negativo) ou podem ter vários episódios com períodos variáveis em que não têm sintomas”, esclarece a Prof.ª Doutora Maria Luísa Figueira, psiquiatra. Há ainda pessoas que adoecem muito cedo com um quadro depressivo ligeiro, em geral já durante a adolescência ou início da idade adulta, mas que se mantém crónico e só melhora com tratamento. “Este estado depressivo, sendo crónico, se não for tratado acompanha a pessoa ao longo da vida, fazendo quase parte da sua maneira de ser.”
Desta forma, a doença causa sofrimento constante e perturba a vida social, a capacidade de estudo ou de trabalho, o que acaba por ser dramático. As depressões podem ser ligeiras, moderadas ou graves, consoante o seu grau de gravidade.

