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Comer bem até aos cem

13 Abril, 2014 0

Imagine os efeitos de não conseguir engolir os alimentos? A disfagia afecta muitas pessoas, na sequência de algumas doenças, como o AVC. Com o avançar da idade é preciso estar mais atento à prevenção, bem como aos sinais de alerta. O distúrbio tem tratamento.

Disfagia? O nome pode não lhe dizer muito, mas a perturbação a que se refere por certo não lhe é estranha. Dificuldade de deglutição, que é como quem diz na alimentação. Com o passar dos anos, esta passa a ser uma preocupação para muitos seniores, que temem que a perturbação seja um destino inevitável. No entanto, “o aumento da idade não quer dizer que se vai ter disfagia”, explica Adriano Rockland, Director da Escola de Formação Centro E.PAP, Terapeuta da Fala e Especialista em Geriatria e Gerontologia.

Mas não respire ainda de alívio. “O aumento da idade vai levar a algumas perdas funcionais que estão inerentes à velhice”, refere o responsável. E explica: “Um jogador de futebol não corre da mesma maneira aos 25 e aos 65, o mesmo se passa com a alimentação que não pode ser feita da mesma maneira”. “A velhice faz-nos perder mobilidade, desenvoltura no andar, no falar, também no alimentar”, sublinha o especialista em disfagia. E esclarece: “Com a idade é preciso fazer adaptações na sua vida, na forma de andar, de se alimentar também” (ver caixa como se previne).

Por outras palavras não é correcto dizer-se que uma pessoa vai sofrer de disfagia só porque está a entrar na terceira idade, mas não se pode ignorar que o distúrbio resulta de muitas doenças cuja incidência aumenta com a idade, como o caso dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC’s). Por isso, aliando as perdas funcionais da idade à propensão para doenças que levam à disfagia, a idade é um factor de risco.

Pode ser fatal

Se a leitura deste texto ainda não o sobressaltou é porque não percebeu a gravidade desta situação. A disfagia pode matar, porque o doente corre o risco de aspirar a comida para o pulmão o que leva à pneumonia, muitas vezes fatal, sobretudo a partir de uma determinada idade. O grande problema é que o distúrbio tende a ser desvalorizado. “As pessoas tendem a valorizam a doença que provoca a disfagia e desvalorizar a consequência”, sublinha Adriano Rockland. “O grande erro está em olhar para a disfagia e pensar que o doente vai-se reabilitar sozinho e com um só profissional”, acrescenta. O especialista revela que o problema só vai ser ultrapassado se a par do médico que trata a doença que causou o distúrbio, o paciente for acompanhado por um terapeuta da fala, especialista neste problema. E quanto mais cedo começar a reabilitação para a disfagia melhores serão os resultados.

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Terapia é possível

O tratamento não passa pelo uso de fármacos. “Normalmente há uma abordagem farmacológica para a doença que deu azo à disfagia”, revela o terapeuta da fala. Mas para a perturbação na alimentação é usado um processo de reabilitação, elaborado por estes profissionais que estão habilitados a tratar do problema. “Existem programas específicos de acordo com a doença que levou à disfagia”, esclarece Adriano Rockland. “Não há um molde para tratar todos os tipos de disfagia, é completamente diferente a abordagem para um doente que sofreu um AVC da de um com paralisia cerebral”, distingue.

O tempo do tratamento não é estanque e varia de acordo com a doença que levou à doença, mas uma coisa é certa: A reabilitação é possível. “Muitas pessoas voltam a alimentar-se normalmente”, frisa o responsável, salientando, contudo, que as pessoas mais velhas tendem em recuperar mais lentamente. Muitas vezes também a recuperação não é total. ” Nestes casos, o que tentamos que a alimentação seja o mais funcional possível”, sustenta. Uma das componentes do tratamento passa também pela prevenção para que o disfágico não volte a aspirar a comida para o pulmão, sublinha.

Por isso, se notar alterações e dificuldades a engolir os alimentos consulte o seu médico de imediato, porque essa atitude pode fazer a diferença. Apesar de não haver estatísticas sobre quantas pessoas são afectadas por estas perturbação, Adriano Rockland assegura que o distúrbio “um grande número de pessoas, sobretudo em internamento hospitalar”.

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