Combater as doenças da próstata
Na realidade, o especialista salienta que, há cerca de 20 anos, 80% dos doentes que apareciam na consulta com carcinoma da próstata e HPB tinham a doença muito avançada e provavelmente incurável. “Hoje em dia, os doentes na ordem dos 60%, aparecem na consulta com a doença localizada ou em estadio inicial. É uma evolução enorme em apenas duas décadas.” Nem tudo são más notícias mas há que continuar a informar e a caminhar para combater as doenças da próstata.
Quando procurar ajuda especializada?
1. Deve procurar o médico se tiver mais de 50 anos. “A idade é um factor pelo qual os homens devem procurar um Médico de Medicina Geral e Familiar ou um urologista”, justifica Tomé Lopes.
2. Se tiver sintomas miccionais, como por exemplo, urinar mal, com dificuldades, de forma diferente, não os ignore. Estes são sinais de uma doença urológica que justificam uma ida ao médico.
3. “Sangue na urina é o principal sinal de alarme de muitos tumores urológicos (rim, bexiga e mais raramente o da próstata). O sangue na urina pode também ser o principal sinal de doenças benignas que devem ser vigiadas, como por exemplo, a Hiperplasia Benigna da Próstata”, acrescenta o presidente da APU.
4. Quer a Associação Europeia de Urologia, quer a Associação Americana de Urologia, quer a Associação Portuguesa de Urologia recomendam que todos os homens com mais de 50 anos devem vigiar a sua próstata uma vez por ano. “Se qualquer homem tiver familiares com cancro da próstata, como por exemplo, o pai, deve começar a realizar a sua vigilância a partir dos 45 anos. É preciso que o homem voluntariamente vá ao médico fazer essa vigilância. Claro que o médico de família pode pedir a análise PSA mas também já há muitos doentes que pedem esses exames específicos nas consultas. A vigilância deve ser feita com o PSA e com a palpação da próstata – toque rectal. Os dois exames devem ser complementares”, acrescenta Tomé Lopes.
Estudo ComBAT lança novos dados no tratamento médico da HBP
Um estudo internacional realizado em 34 países de vários continentes, durante quatro anos, em cerca de 500 centros, envolveu mais de 4800 doentes e foi apresentado no XI Simpósio APU2010. Portugal foi um dos países envolvidos com a participação de cinco centros distribuídos por Lisboa, Porto e Coimbra.
Os resultados agora apresentados vieram demonstrar que a terapêutica de combinação é a melhor solução para os doentes com HBP trazendo benefícios no que respeita à melhoria da qualidade de vida e à menor necessidade de cirurgia por HBP.
“O estudo revelou alguns dados importantes reforçando a importância da terapêutica de combinação e introduzindo algumas novidades. A associação de dois tipos de medicamentos cujo mecanismo de acção já era conhecido para a HBP leva a uma melhoria substancial dos sintomas e previne de modo muito significativo a ocorrência de episódios de retenção urinária aguda e cirurgia relacionada com a doença, o que constitui claramente uma vantagem para os doentes”, indica o Dr. Miguel Guimarães, urologista do Hospital de São João, no Porto, e um dos investigadores do estudo no nosso país.

