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Cancro do Colo do Útero e o Papilomavírus Humano (HPV)

21 Fevereiro, 2008 0

COMO PODE SER PREVENIDO?

A vacinação contra o cancro do colo do útero como prevenção primária, em combinação com o rastreio para detecção precoce, maximizam a eficácia do programa de combate ao cancro do colo do útero. [25]

» Prevenção Primária: Vacinação

Uma vez que o cancro do colo do útero é causado por um vírus, é um dos poucos tumores malignos em que pode ser administrada uma vacina profiláctica.

A vacina do cancro do colo do útero abrange actualmente os Papilomavírus Humanos dos tipos que causam 75% do cancro do colo do útero [8].

Estudos aplicando modelos matemáticos nos EUA demonstraram recentemente que a vacinação contra o cancro do colo do útero poderia prevenir até 91% dos cancros do colo do útero cujos vírus são cobertos pela vacina, dependendo da estratégia de vacinação [9].

A vacinação pode reduzir significativamente a incidência de resultados anormais nos rastreios, a necessidade das mulheres se submeterem a exames adicionais, ou a remoção cirúrgica das células cancerosas.

A vacinação de raparigas pré-adolescentes e adolescentes, antes da exposição ao Papilomavírus Humano, bem como de mulheres no pico de exposição, é considerada a abordagem mais benéfica.

A vacina funciona através da injecção de partículas tipo-vírus (VLP – vírus-like particles) que imitam de forma muito próxima este vírus, induzindo uma imunidade forte e persistente contra uma futura infecção por Papilomavírus Humano.[26] As VLP correspondem a cápsides vazias de Papilomavírus Humano. Não incluem quaisquer genes virais e por isso não podem levar ao desenvolvimento de doença.

A primeira vacina contra o cancro do colo do útero foi aprovada nos EUA em Junho de 2006 e na União Europeia em Setembro de 2006. Até à data foi aprovada em 55 países a nível mundial [10, 11].

Até este momento os programas programas de vacinação só foram promovidos e financiados nos EUA, Canadá e Austrália [11].

» Prevenção Secundária: Rastreio

O rastreio do cancro do colo do útero não previne a doença mas ajuda a detectar a presença de células anormais causadas pelo Papilomavírus Humano.

O rastreio deve ser mantido dado que as raparigas ou mulheres podem ter sido infectadas antes da vacinação e a vacinação não oferece uma protecção contra todos os tipos de cancro do colo do útero [3].

Em muitos países Europeus, os programas de rastreio enfrentam múltiplos desafios, incluindo: falta de adesão, [27, 28] baixo nível de sensibilidade [29] e especificidade e ainda amostras inadequadas que requerem uma repetição do exame [30].

O rastreio do cancro do colo útero pode causar alguma ansiedade nas mulheres, podendo causar-lhes embaraço ou dor. O período de espera pelos resultados também pode ser um problema. A constatação de um resultado anormal, ou o facto de ter que se repetir o esfregaço para obtenção de um diagnóstico definitivo, causa uma carga emocional adicional.

Uma citologia negativa não garante que o cancro do colo do útero não irá desenvolver-se no futuro. Em casos raros, mulheres rastreadas regulamente podem vir a desenvolver cancro do colo do útero nos três anos após um exame citológico negativo. [31]

Como é diagnosticado?

O esfregaço do colo do útero pode detectar lesões pré-cancerosas do colo do útero assim como cancro [10].

Também conhecido como rastreio, o esfregaço do colo do útero faz parte de um exame ginecológico [32].

Uma citologia anormal pode requerer a repetição do exame para verificar se células do colo do útero anormais ainda estão presentes, uma colposcopia para avaliar a existência de anomalias no colo do útero, e/ou uma biópsia para verificar se estão presentes células pré-cancerosas.

Qual é o tratamento?

Não existe um tratamento que elimine o vírus por si [21]. Só a remoção de tecido anormal pode realmente prevenir a evolução de células cancerosas e pré- cancerosas para cancro invasivo.

O cancro do colo do útero pode ser tratado através de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, isoladamente ou em combinação, dependendo do estadio de evolução da doença [25].

O tratamento cirúrgico é invasivo, pode ser agressivo para a doente e pode resultar em infertilidade. A radioterapia e a quimioterapia podem causar efeitos secundários graves a longo prazo, tais como menopausa precoce, problemas a nível da bexiga e intestino, infertilidade e uma menor resistência à infecção.

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