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Cancro da tiróide » Sucesso terapêutico em 95% dos casos

9 Abril, 2007 0

«A tiróide é a responsável pela frequência cardíaca, pela pressão arterial, pelo estado emocional, pela regulação da temperatura corporal, pela função intestinal e pelo peso.

Qualquer alteração no funcionamento da tiróide afecta todas estas áreas, causando um grande decréscimo na qualidade de vida dos doentes», explica o Dr. João Jácome de Castro, director do Serviço de Endocrinologia do Hospital Militar Principal.

Calcula-se que 4-5% da população mundial sofre de alterações da função da tiróide (hiper e hipotiroidismo), sendo que esta percentagem aumenta para 10% em pessoas com mais de 50 anos.

«Estima-se, ainda, que 3-4% da população mundial tenha nódulos da tiróide com significado clínico, isto é, com mais de um centímetro, e que 30-40% dos adultos tenham pequenos nódulos sem significado clínico», acrescenta o especialista.

De acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, só em Portugal surgem por ano mais de 400 novos casos de cancro da tiróide, dos quais cerca de 5% acabam por resultar em morte.

O diagnóstico precoce e a terapêutica adequada são fundamentais para travar o avanço do tumor e garantir uma maior esperança de vida ao doente.

Falta e excesso de hormonas

Vários factores podem desencadear um distúrbio da tiróide. Uma doença auto-imune (presença de anticorpos na circulação) que provoque a diminuição da função da glândula, a falta ou o excesso de iodo na alimentação, ou até mesmo a tendência genética pode facilitar o aparecimento de doenças da tiróide.

«São doenças muito frequentes e facilmente tratáveis. Há ainda muitos casos não diagnosticados, contudo, a tendência é para o diagnóstico cada vez mais precoce. Só assim se evitam alguns sintomas», explica o endocrinologista.

A hiperactivação do metabolismo, o nervosismo, a irritabilidade, a insónia, o aumento da frequência cardíaca, a intolerância ao calor, a perda de peso e os tremores são alguns dos sintomas do hipertiroidismo, ou seja, da produção excessiva de hormonas.

Pelo contrário, o cansaço, a depressão, a prisão de ventre, o aumento de peso, a diminuição da frequência cardíaca, a sonolência e a intolerância ao frio são sintomas de quem sofre de hipotiroidismo, isto é, da baixa ou nenhuma produção hormonal.

«Em qualquer um destes distúrbios, o tratamento deve ser iniciado quanto antes. Isto é, logo após ser feito o diagnóstico. No caso do hipotiroidismo, a terapia consiste em repor a dose hormonal que deixou de ser fabricada pela tiróide.

Para o hipertiroidismo aplica-se uma terapia com medicamentos antitiroideus, para reduzir a produção de hormonas. Pode também recorrer-se ao iodo radioactivo ou à cirurgia (tiroidectomia – retirar a tiróide), nos casos recorrentes», afirma Jácome de Castro.

Dos nódulos ao carcinoma

São, ainda, desconhecidas as causas da origem dos nódulos da tiróide. Podem ser de natureza benigna ou maligna, sendo que, na segunda hipótese, representam risco para o desenvolvimento do cancro da tiróide.

«Há nódulos de pequenas dimensões que não exigem tratamento especializado. O próprio médico de família os pode controlar. Quando atingem um tamanho igual ou superior a um centímetro, então beneficiam da vigilância por parte de um endocrinologista», adianta o médico do Hospital Militar Principal, acrescentando:

«Não há tratamento farmacológico eficaz para os nódulos, apenas a cirurgia, sempre que houver suspeita de malignidade ou compressão das estruturas vizi­nhas. Cinco a dez por cento dos nódulos evoluem para cancro.»

O carcinoma da tiróide é o tumor endócrino mais frequente, mas também mais tratável. Tem uma mortalidade de 5%, o que significa que os restantes 95% dos casos têm sucesso terapêutico.

Inicialmente o diagnóstico pode parecer assustador pela sua associação à dor e à morte, no entanto, os resultados terapêuticos são bastante optimistas. A cirurgia é curativa, na grande parte dos casos, e este carcinoma praticamente não causa dor, se for diagnosticado precocemente.

«A qualidade de vida após a cirurgia é garantida, desde que haja acompa­nhamento médico», assegura Jácome de Castro.

A rouquidão prolongada, a dificuldade de deglutição e a dificuldade respiratória podem ser os primeiros sinais de alerta para o cancro da tiróide.

Grupo de Estudos da Tiróide

«É pena que as doenças da tiróide sejam pouco ensinadas nas faculdades de Medicina. Apenas com especialização os alunos conseguem um maior conhecimento destes problemas. Mas acredito que esta realidade possa mudar», afirma o especialista.

Criado em 1998, o Grupo de Estudos da Tiróide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia congrega especialistas em endocrinologia, medicina nuclear, cirurgia e biologia molecular, anatomia patológica e patologia clínica.

«A ideia inicial foi juntar um grupo de especialistas interessados nestas doenças e promover trabalhos entre os vários centros e simultaneamente desenvolver a investigação para melhorar o conhecimento das doenças da tiróide em Portugal», explica Jácome de Castro, coordenador do Grupo.

E continua: «Para além disso, preten­demos estabelecer uma uniformidade tera­pêutica, através de protocolos de tratamento e seguimento no cancro da tiróide. Estamos também a criar uma relação privilegiada com a clínica geral e com a obstetrícia, no sentido de dar alguma formação sobre os problemas da tiróide. O nosso desejo é criar uma boa relação com as outras especialidades.»

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