Cancro da próstata: A importância de controlar a sua evolução para proporcionar qualidade de vida ao doente
Apesar do cancro da próstata ser muito frequente, dispõem-se hoje de muitas alternativas terapêuticas, mesmo nas fases mais avançadas da doença. O doente pode olhar o futuro com esperança.
O cancro da próstata é, hoje, um importante problema de saúde pública. Trata-se da segunda causa de morte por cancro no homem, nos países ocidentais.
Só nos EUA, por exemplo, morreram 28 900 homens por cancro da próstata em 2003. Em 2005, serão diagnosticados no mesmo país 230 110 homens com cancro da próstata, número que ascenderá a 380 mil em 2025. O risco de ser diagnosticado um cancro da próstata ao longo da vida de um homem ocidental é de 16,6%.
Os estudos demonstram que a incidência do cancro da próstata tem vindo a aumentar nas últimas décadas. As causas não são claras e, se bem que as estratégias mais agressivas de diagnóstico precoce possam, em parte, justificar este aumento, não são de excluir outras causas associadas à alimentação, ao estilo de vida, ou ao meio ambiente.
A incidência do cancro da próstata aumenta com a idade. Contudo, tem-se assistido ao aparecimento deste tumor em idades cada vez mais precoces.
A maioria das guidelines aconselha um rastreio anual a partir dos 50 anos, ou dos 45 anos no caso de grupos de risco elevado, como os indivíduos de raça negra ou aqueles com familiares de primeiro grau (pai, tio, irmão) com história de cancro da próstata.
Contudo, é crescente o número de casos abaixo dos 50 anos, pelo que muitos urologistas aconselham uma consulta regular a partir dos 40 anos.
Diagnóstico precoce
Continuamos a desconhecer as causas deste tipo de cancro. Também sabemos que, habitualmente, só apresenta sintomas numa fase muito avançada, já sem possibilidade de cura. Daí a importância do diagnóstico precoce, ou seja, numa fase de doença localizada à próstata, ainda sem sintomas, mas curável.
O diagnóstico é sugerido pela alteração de um dos seguintes exames: toque rectal, doseamento sanguíneo (análise de sangue do PSA, antigénio específico da próstata) e ecografia prostática trans-rectal.
O toque rectal é um exame muito fácil e simples, que consiste na palpação prostática digital (com o dedo), por via anal, o que pode fornecer importantes informações acerca do volume, consistência e limites prostáticos. O PSA é uma substância produzida pela próstata normal, mas cujos valores sanguíneos se elevam quando há doenças prostáticas, particularmente no cancro da próstata.
É importante salientar que uma elevação do PSA não significa necessariamente a existência de um cancro da próstata, embora seja necessário exclui-lo. A elevação do PSA ocorre, em média, cinco anos antes da detecção de qualquer anomalia ao toque rectal. Hoje em dia usam-se tipos especiais de PSA, como o PSA livre ou o PSA complexado, que aumentam a especificidade na detecção de cancro da próstata, isto é diminuem os casos de falsos positivos.
Finalmente, a ecografia prostática trans-rectal oferece-nos informações importantes, como a existência de nódulos prostáticos, ou o compromisso dos limites da glândula.
Quando algum destes exames revela alterações suspeitas, devemos confirmar o diagnóstico por biopsia prostática. Trata-se de uma técnica que consiste na colheita de fragmentos de próstata, por via ecoguiada e trans-rectal, que são depois enviados para estudo histológico a fim de se verificar a existência, ou não de cancro. Trata-se de um exame simples, bastante bem tolerado pelo doente e que se faz em ambulatório sem necessidade de qualquer internamento.
Tratamento do cancro da próstata
O tratamento do cancro da próstata depende essencialmente de dois parâmetros: a idade do doente e a extensão do tumor. Os doentes com mais de 70-73 anos, ou seja, com uma esperança de vida inferior a dez anos, são habitualmente tratados com hormonoterapia, isto é, com castração cirúrgica ou química (com medicamentos que inibem a produção ou a actuação da testosterona), já que o cancro da próstata é hormonodependente, isto é depende da estimulação por androgéneos como a testosterona.
É um tipo de tratamento que actua apenas temporariamente, mas que permite eventualmente a doentes desta idade morrer com o seu cancro e não do seu cancro.
Quando os doentes têm uma esperança de vida superior a 10 anos, ou seja com idades inferiores a 70-73 anos, devemos oferecer ao doente um tratamento com intuitos curativos, o que só é possível se a doença estiver localizada à próstata. Há apenas três tipos de tratamentos curativos para o cancro da próstata. O mais eficaz é a prostatectomia radical, que consiste na remoção cirúrgica da próstata e vesículas seminais.

