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Cancro da próstata: A importância de controlar a sua evolução para proporcionar qualidade de vida ao doente

11 Outubro, 2007 0

Permite uma sobrevida ao fim de 10 anos superior a 90%, mas com dois efeitos secundários importantes: algum grau de disfunção eréctil atingindo 50 a 90% dos doentes e alguma incontinência urinária, geralmente transitória, nos primeiros meses.

Em alternativa à cirurgia, alguns doentes optam por radioterapia externa, ou por braquiterapia (radioterapia intersticial, que consiste na introdução de sementes radioactivas na próstata sob anestesia), métodos com menos compromisso da função sexual e sem repercussões na continência urinária, mas com taxas de cura inferiores às da cirurgia e não desprovidos de efeitos secundários importantes e igualmente incapacitantes, como a rectite radica, a cistite radica, ou a alteração do transito intestinal.

Melhorar a qualidade de vida

Os doentes com doença metastática (quando o cancro se espalhou para outras áreas do corpo) são tratados com hormonoterapia. A terapêutica hormonal, embora não curativa, pode levar a um controlo de longa duração, permitindo uma excelente qualidade de vida.

Contudo, com o tempo, o cancro da próstata pode progredir apesar da terapêutica hormonal. Não se sabe bem porque é que isto acontece, mas conduz a um estado designado por cancro da próstata hormono-resistente, no qual cerca de 70% dos doentes apresentam metastização óssea. Quando a doença chega a este estádio não há nenhuma terapêutica standard eficaz e geralmente os doentes apresentam complicações graves como dores ósseas incapacitantes, fracturas ósseas ou compressão de estruturas neurológicas.

No entanto, a investigação nesta área tem feito grandes progressos, motivando um renovado optimismo. Nos últimos anos surgiram alguns importantes novos tratamentos, desenhando novos caminhos no tratamento destes doentes hormono-resistentes e metastizados. Para além da melhoria substancial da terapêutica da dor, através da utilização de novos analgésicos, dispomos hoje de duas novas drogas com resultados comprovados. A primeira é o ácido zoledrónico, da classe dos bifosfonatos (uma classe de drogas que ajuda a reconstruir e a fortificar o osso).

Esta droga demonstrou uma importante eficácia na redução da dor óssea e das complicações ósseas das metástases como as fracturas e a necessidade de radioterapia. Estão a decorrer alguns estudos que apontam para um possível efeito na prevenção do aparecimento das metástases. A segunda droga é o docetaxel, um tipo de quimioterapia que demonstrou aumentar a sobrevida destes doentes de forma significativa, melhorando a qualidade de vida.

Quimioprevenção previne o seu desenvolvimento

Uma das áreas mais fascinantes no cancro da próstata é a da quimioprevenção, que consiste na administração regular de substâncias químicas, naturais ou sintéticas, com o intuito de prevenir o aparecimento e desenvolvimento do cancro da próstata.

Alguns produtos naturais como os licopenos (abundantes no tomate), os fitosteróides (abundantes na soja), o selénio, ou as vitaminas A e D, têm mostrado resultados promissores. Um dos estudos mais interessantes nesta área foi o Prostate Câncer Prevention Trial, que demonstrou uma redução em 25% do risco de desenvolvimento de cancro da próstata nos homens que tomavam diariamente 5 mg de finasteride, uma droga que inibe a actividade da testosterona a nível prostático, já usada há muitos anos na hiperplasia benigna da próstata. Trata-se, sem dúvida de uma área de futuro na oncologia, que apenas agora dá os seus primeiros passos.

Concluindo, devemos reter que apesar do cancro da próstata ser muito frequente, dispomos hoje de muitas alternativas terapêuticas, mesmo nas fases mais avançadas da doença, pelo que o doente com cancro da próstata deve olhar para o futuro com esperança.

Dr. Carlos Rabaça

Urologista do IPO de Coimbra

Assistente da Faculdade de Medicina de Coimbra

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