Asma sob controlo
Torna-se assim essencial controlar a asma bem como as doenças associadas. “Sabe-se que a maioria dos doentes com asma apresentam rinite, e que se a rinite não for tratada é mais difícil controlar a asma, pelo que o tratamento de ambas as situações é aconselhado e facilita a melhoria da situação clínica do doente”, diz-nos vice-presidente da APA.
O principal desafio? Ter uma vida absolutamente normal
É o que todos os doentes crónicos ambicionam e pode ser mesmo possível. “Estudos clínicos demonstram que este controlo total é possível de obter em 90-95% dos doentes, no entanto, em Portugal, como já referido, apenas cerca de 50% dos doentes estão totalmente controlados (o que é uma percentagem muito superior à referidas em outros países). Assim sendo, o desafio para os doentes será o de obter este controlo total, o que implica uma atitude pró-activa do doente, uma ligação estreita com o seu médico assistente, o seguimento de um plano terapêutico e a evicção de alguns factores desencadeadores de crises (nomeadamente, a exposição ao tabaco)”, defende Luís Araújo.
Apesar de não ser uma doença curável, é possível viver longos períodos de tempo sem qualquer sintoma. “No entanto, mesmo que possa ficar sem medicação e sem sintomas durante algum tempo, existe sempre o risco de reaparecimento dos sintomas”, alerta o especialista.
Acabar com os mitos
Existem duas ideias preconcebidas e enraizadas na população sobre a asma. “O primeiro é que a asma é uma doença psicossomática. A asma não é uma condição psicológica, é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que leva a uma hiper-reactividade das vias aéreas, sobretudo quando não tratada adequadamente. Embora a asma não seja uma condição psicológica, o stress emocional pode provocar sintomas”, sublinha Luís Araújo. Por exemplo, problemas financeiros, insatisfação profissional e problemas familiares, podem contribuir para o desencadear de crises nos doentes. Em segundo lugar, há quem pense que a medicação para a asma é perigosa e com efeitos prejudiciais a longo prazo.
“Neste caso, os fármacos mais temidos são os corticosteróides inalados. Estes fármacos, apesar de serem derivados da temida cortisona, apresentam uma segurança completamente diferente – são usados em doses muitíssimo reduzidas e aplicados directamente onde são necessários (nos brônquios), pelo que a quantidade de medicamento que atinge a corrente sanguínea é muitíssimo pequena não causando efeitos indesejáveis. Nas doses usuais, estes medicamentos são muito seguros mesmo para um uso prolongado. Aliás, foram para esse uso prolongado que foram desenvolvidos”, tranquiliza o vice-presidente da APA.
Medidas que reforçam o tratamento farmacológico
– É importante que a sua casa seja bem arejada e limpa, particularmente o soalho. Os soalhos de madeira são melhores que as alcatifas, que tendem a acumular muito pó.
– Em geral, não deve manter animais com pêlo e animais dentro de casa, mesmo que não seja alérgico aos mesmos, dado que eles levam a uma maior acumulação de ácaros.
– Tente evitar perfumes, after-shaves, desodorizantes ou plantas com cheiro intenso dentro de casa, dado que todos são possíveis factores desencadeantes de asma.

