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Artrite reumatóide:» Uma das doenças reumáticas mais graves

15 Agosto, 2005 0

É possível começar, de forma súbita ou mais lenta, a sentir dores e dificuldades de movimento. As mãos, pés, joelhos ou cotovelos ficam doloridos e inchados e o movimento torna-se, de facto, difícil. Quando isto acontece, podemos estar perante uma das doenças reumáticas mais graves – a artrite reumatóide, que afecta mais de cinco milhões de pessoas, em todo o mundo, e entre 30 a 40 mil portugueses.

«A artrite é uma doença reumática articular crónica, em que o sistema imunológico ataca o tecido que reveste e protege as articulações (membrana sinovial), causa inflamação e desencadeia um processo de erosão de cartilagens, ossos e ligamentos, que são destruídos com o tempo, daí que, quando não se consegue parar a inflamação, possam surgir deformações», explica o Prof. Jaime Branco, reumatologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.

Trata-se de uma doença mais frequente nas mulheres do que nos homens, numa proporção de três para um, com dois picos de incidência. Um por volta da 4.ª e 5.ª décadas de vida (45 anos de idade) e, depois, nas pessoas mais idosas, a partir dos 65 anos, onde a prevalência continua a ser predominantemente nas mulheres, mas já numa relação menor.

Embora se desconheça a causa desta doença, existem múltiplos factores associados aos indivíduos atingidos por artrite reumatóide. Os genes parecem determinar, a priori, quais são as pessoas cujo sistema imunológico é mais susceptível de ser atacado pela doença. Assim, factores infecciosos, hormonais ou ambientais poderão contribuir para que um indivíduo que possua uma certa susceptibilidade, geneticamente determinada, possa vir a desenvolver esta patologia.

Pequenas articulações

Tal como outras doenças, também esta tem as suas características. A artrite caracteriza-se por atingir todas as articulações do corpo, com especial apetência para as articulações distais dos membros, os dedos das mãos e dos pés, os punhos, os tornozelos, os joelhos e os cotovelos.

Contudo, «ainda que a artrite reumatóide seja, preferencialmente, uma doença que ataca as articulações, pode afectar outros órgãos, como os olhos, os pulmões e o coração. Quando isso acontece, a doença é considerada ainda mais grave», refere o reumatologista.

Outra característica da doença é que afecta de forma simétrica as articulações, ou seja, atinge os dois lados dos membros de forma igual: as lesões de uma das mãos, por exemplo, são idênticas às da outra, e de forma aditiva, isto é, as articulações atingidas vão-se somando umas às outras sem que as anteriores deixem de apresentar sintomas.

São vários os sintomas que podem acompanhar este quadro clínico.

Tanto podem aparecer abruptamente e de forma aguda, como podem surgir gradualmente, como é mais comum.

A dor, em quase todas as articulações, é o sinal físico mais claro da doença, mas podem também acompanhar ou anteceder a artrite sintomas como a fadiga, o mal-estar e nódulos subcutâneos.

No entanto, um sinal muito importante desta patologia é a rigidez matinal. Isto é, após uma noite de sono, os pacientes amanhecem com significativa dificuldade em movimentar as articulações, a qual se mantém por mais de 30 a 60 minutos. Quando isto acontece estamos perante uma rigidez inflamatória e este é um sinal precoce muito importante de artrite.

Como tal, «se a acompanhar a dor articular houver uma rigidez matinal prolongada, então estes doentes devem procurar um especialista que seja capaz de fazer um diagnóstico precoce e de instituir precocemente a terapêutica médica eficaz, pois trata-se de uma patologia que, se não for tratada atempadamente, não só leva à incapacidade, como também pode causar morte antecipada», adverte o nosso entrevistado.

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