Alergias: Estação de risco

Qualquer um destes estímulos pode ser suficiente para que as vias respiratórias fiquem inflamadas e estreitem, o que dificulta a passagem de ar. A falta de ar é, por isso uma queixa frequente, a ela se juntando uma tosse seca e pieira (como se houvesse uma luta de gatos no peito). Depois, o quadro vai-se agravando: a respiração acelera-se, torna-se ofegante, o doente fica ansioso, queixando-se de um aperto no peito. Suor, palpitações e cansaço instalam-se à medida que se a crise persiste. E, nos casos mais graves, há mesmo uma diminuição do oxigénio no sangue, o que confere um tom azulado à pele.
Diminuir a inflamação e desobstruir as vias respiratórias é o primeiro objectivo do tratamento, mediante a inalação de anti-inflamatórios e de broncodilatadores. São dois medicamentos essenciais no controlo da asma, uma doença que muitas vezes se desenvolve antes dos dez anos, embora as primeiras crises também se possam declarar na idade adulta.
A aumentar
A incidência das alergias está a aumentar, ao ponto de alguns autores estimarem que cerca de 10 por cento da população europeia sofra de rinite alérgica e outros 15 por cento de asma. Uma tendência que se confirma em Portugal. Além disso, é elevada a probabilidade de as duas doenças coexistirem: calcula-se que entre 15 a 40 por cento dos doentes com rinite alérgica também tenha asma, mas mais de 70 por cento dos doentes asmáticos sofrem também de rinite alérgica.
E porque estão as alergias a crescer?
Uma das explicações pode residir no chamado modo de vida ocidental: por um lado, a diminuição das infecções na primeira infância, devido à vacinação, ao desenvolvimento dos antibióticos e à melhoria das condições sanitárias poderá fazer com que o sistema imunológico, menos “ocupado” com os micróbios, se “volte” para os alergénios ambientais, à partida mais inofensivos mas que agora lhe servem para treino; por outro lado, vive-se cada vez menos ao ar livre, em ambientes fechados, o que aumenta a exposição aos ácaros, aos ares condicionados, ao fumo do tabaco e à poluição.
Alergia é…
Porque é que o organismo de algumas pessoas reage com uma sensibilidade acrescida a substâncias com as quais a maioria convive sem qualquer incómodo?
Isto é, porque é que há pessoas alérgicas e outras que não o são?
A resposta está no sistema imunitário e o mecanismo é o mesmo qualquer que seja a substância – o nosso organismo produz anticorpos que nos protegem de agentes estranhos que podem causar doenças ou infecções.
O sistema imunitário das pessoas predispostas fica como que descontrolado, reagindo exageradamente a substâncias para as quais habitualmente não são necessárias defesas: pólen, fungos, pó, pêlo dos animais, alimentos…
Estas substâncias são identificadas como potenciais agressores, embora não o sendo, e são produzidos anticorpos específicos, as imunoglobulinas.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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