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A tuberculose multirresistente em Portugal

31 Agosto, 2011 0

A primeira Assembleia Mundial da Saúde, reunida em 1948, decidiu passar a comemorar o dia 7 de Abril de cada ano como o Dia Mundial da Saúde. O objectivo desta comemoração é o de chamar a atenção para os principais problemas que afectam a Saúde da Humanidade. E muitos têm sido os temas abordados, desde a “Segurança Rodoviária” (2004) até às “Alterações Climáticas e Saúde” (2008). Este ano comemorou-se a “Resistência aos antibióticos”, sob o lema “Se não actuarmos hoje, não haverá cura amanhã”.

Fala-se de resistência aos antibióticos quando os microrganismos responsáveis pelas infecções adquirem capacidade de resistir àqueles fármacos, tornando-os ineficazes e inviabilizando a cura das doenças infecciosas.

Sendo, em parte, um fenómeno natural, surge, na maioria das vezes, associado a tratamentos incorrectos ou inadequados, em que o doente não cumpre o plano prescrito. De facto, quer o não cumprimento da posologia aconselhada, quer a interrupção precoce do tratamento estão entre as principais causas que levam os microrganismos a adquirir resistência aos fármacos utilizados para os eliminar.

Este fenómeno, não sendo novo, está a adquirir dimensões preocupantes, estando identificadas, um pouco por todo o mundo, bactérias resistentes praticamente a todos os antibióticos, causando infecções impossíveis de tratar. Há quem lhes chame “super bactérias”.

Nesta problemática, merece um destaque particular a resistência do bacilo da tuberculose. Neste contexto, fala-se de multirresistência quando este microrganismo é resistente aos dois principais medicamentos antituberculosos: a isoniazida e a rifampicina.

Mais recentemente, passou-se a identificar uma forma ainda mais perigosa de tuberculose resistente – tuberculose extensivamente resistente – na qual, para além de haver resistência aos dois antibióticos referidos, verifica-se resistência a muitos outros, eventualmente a todos.

Esta forma de tuberculose é muito difícil de tratar. Os fármacos alternativos (quando os há) são muito menos eficazes, muito mais tóxicos e muito mais caros; o tratamento da tuberculose multirresistente é centenas de vezes mais caro que o da tuberculose vulgar.

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Os impactos pessoais, familiares, profissionais e sociais são devastadores, obrigando o doente a internamentos de longa duração e a tratamentos não inferiores a dois anos. Ao contrário da tuberculose vulgar, que regista uma taxa de curas muito elevada (93%), estas formas da doença têm taxas de cura bem mais baixas: 59% para as formas multirresistentes e 46% para as extensivamente resistentes.

Em termos de Saúde Pública, o elemento que mais preocupa as autoridades é o da transmissão. Sendo a tuberculose uma doença transmissível por via inalatória, estes doentes, ao eliminarem bacilos através da tosse, irão transmitir a terceiros esta forma particularmente grave da doença.

No nosso país, nos últimos anos, tem-se verificado uma diminuição consistente dos números de casos desta forma de tuberculose. Em 2010 foram identificados 29 novos casos de tuberculose multirresistente, dos quais dois tinham critérios de extensivamente resistente. Contando com os doentes diagnosticados em anos anteriores e ainda sob tratamento, no ano passado estavam identificados e em tratamento 53 casos de tuberculose multirresistente, dos quais 32 tinham critérios de extensivamente resistente.

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