A Epilepsia - Médicos de Portugal

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Referências Históricas

São imemoriais as primeiras referências históricas à epilepsia, doença conhecida já no Antigo Egipto (3000 anos a.C.). Às ligações iniciais com a histeria e outros estados mórbidos relacionadas na época com o deslocamento do útero, sucedeu-se o carácter “sagrado” desta doença, muito desenvolvido pelos gregos que acreditavam ser possível a comunicação das sacerdotisas com os deuses, quando estas proferiam os seus oráculos no meio das convulsões.

É Hipócrates, na sua monografia sobre “a doença sagrada”, o primeiro a identificar como sede da doença o próprio cérebro tentando, neste como em outros aspectos da Medicina, estabelecer princípios científicos sobre a patologia.

Tanto os hebreus como os romanos mantiveram a ligação da doença a forças extra-naturais, sendo-lhe atribuída nomes diversos como “doença dos demónios”, “morbus insputatus”, pois era prática cuspir nos doentes como medida preventiva para se proteger da doença, e ainda “mal comicial”, devido ao facto dos comícios romanos serem interrompidos de cada vez que um dos participantes tinha uma crise convulsiva, encarada como um sinal divino. O termo “comicialidade”, uma herança desses tempos, perdura até hoje na terminologia médica.

É Avicena quem primeiro emprega o termo “Epilepsia”, que significa em grego “ser apoderado” ou “ser possuído”. Este autor continua, no entanto, a relacionar a doença com forças sobrenaturais.
A idade média não trouxe qualquer esclarecimento adicional sobre a doença, sendo esta frequentemente relacionada com a bruxaria e os doentes queimados por heresia.

Só no século XIX se assiste a uma progressiva alteração destes conceitos, sobretudo através da escola francesa da Salpêtrière.

Primeiro com Georget, depois Briquet, Charcot, Babinski e Gowers, assiste-se nessa altura a um rápido desenvolvimento de diversos conceitos relacionados com a epilepsia e também a uma modificação na sua abordagem terapêutica.

Data de 1857 a primeira utilização de um fármaco com alguma eficácia no controlo das convulsões. Foi Sir Charles Locock, obstetra da Rainha Victória, o primeiro a utilizar os brometos na epilepsia, que constituíram até ao final da primeira década do século XX a única terapêutica disponível. A introdução em 1912 do fenobarbital, em 1937 da fenitoína e em 1952 da carbamazepina foram, até à década de 70, outros passos importantes no controlo médico da doença.

A um estado quase letárgico no desenvolvimento de novos medicamentos até essa altura, sucedeu-se o aparecimento progressivo, no último quartel do século XX, de inúmeros fármacos, cada vez mais eficazes e com menos efeitos acessórios, o que permite hoje em dia que o doente com epilepsia tenha à sua disposição um manancial terapêutico extremamente eficaz. Além do mais, e aproveitando a “década do cérebro”, a epileptologia, enquanto ramo das ciências neurológicas, apresentou um desenvolvimento ímpar, quer no que respeita ao conhecimento dos mecanismos básicos, quer aos meios complementares de investigação e às soluções terapêuticas.

Apesar deste longo caminho, e de todo o interesse que a doença tem causado ao longo dos séculos, ainda hoje persiste uma incompreensão generalizada em relação ao doente com epilepsia, sendo frequentes, como todos sabemos, os preconceitos com que estes indivíduos se deparam ao longo da sua vida.

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