500 mil doentes com epilepsia em Portugal
A incidência da epilepsia é elevada, calculando-se que atinja cerca de quatro a sete casos por mil habitantes. Cerca de 50% dos casos inicia-se durante a infância.
O diagnóstico da epilepsia é fundamentalmente clínico e define-se, na maioria dos casos, “através de entrevista e observação médica realizadas numa consulta. Em muitos casos, a suspeição diagnóstica pode ser confirmada através de um electroencefalograma (ECG)”, afirma a Dra. Maria José Fonseca, neuropediatra do Centro de Desenvolvimento da Criança Professor Torrado da Silva, Hospital Garcia de Orta (HGO) e da LPCE.
Os médicos assistentes destas crianças definirão os eventuais exames complementares de diagnóstico adequados a cada caso. “A grande diversidade de epilepsias que surgem em idade pediátrica, com diferentes implicações e evoluções muito variadas, leva a formas de diagnóstico adequadas a cada doente. O que é indicado para um, poderá não ser para outro”, diz-nos a neuropediatra.
Por norma, os pais não aceitam de ânimo leve a notícia de que o seu filho sofre de epilepsia. “Em primeiro lugar, é muito importante estarem esclarecidos sobre a situação.
É fundamental que conheçam as implicações da doença a nível psicológico para não superprotegerem estas crianças, atitude negativa que a epilepsia, frequentemente ocasiona”, reforça Maria José Fonseca. Em simultâneo, pode ajudar a integração em grupos de ajuda mútua dinamizados pela LPCE e pela Associação dos Doentes e Familiares com Epilepsia (Epi- APFAPE). “A partilha de conhecimentos, experiências, dúvidas e emoções permitirá uma melhor aceitação da doença”.
As crianças com epilepsia podem ter uma vida normal e fazer o mesmo que os outros meninos. “De um modo geral, a maioria apresenta situações benignas, controladas pela medicação, não apresentando qualquer tipo de limitação”. Desde que vigiadas adequadamente, podem realizar as mesmas actividades que as desenvolvidas pelas crianças do mesmo grupo etário.
Os pais devem tentar estar informados “e ter uma relação de confiança com a equipa médica que segue a criança. Devem falar abertamente com a escola, os docentes e técnicos que diariamente convivem com o seu filho. É importante que os pais tenham noção que, contrariar a criança, não desencadeia crises”, fundamenta a Dra. Rita Fernandes, psicóloga clínica do Centro de Desenvolvimento da Criança Professor Torrado da Silva, do HGO e da LPCE.
Por outro lado, é fundamental o apoio e esclarecimento dos profissionais que trabalham nas escolas, onde a criança passa a maior parte do seu dia. “Alguns dos profissionais têm já alguns conhecimentos sobre esta doença, sobre o que fazer e o que evitar perante uma crise, e muitos deles aprendem com os pais e com as crianças que, em determinado momento, frequentam a turma ou escola onde esses profissionais trabalham”, diz-nos Rita Fernandes. É ainda importante saber que a epilepsia não causa dificuldades de aprendizagem.
O que fazer perante ataques epilépticos
O cérebro é um órgão complexo que controla todas as nossas acções diárias. As células cerebrais (os neurónios) trabalham em conjunto e comunicam através de sinais eléctricos. “Ocasionalmente, dá-se um curto-circuito no cérebro, e parte ou todas essas células, descarregam-se anormalmente, resultando num ataque epiléptico”, pode ler-se no site da LPCE. Perante uma crise epiléptica, deve tentar manter a calma. Se não sabe como reagir e actuar perante uma convulsão, o Jornal do Centro de Saúde, com a ajuda de especialistas, dá-lhe algumas dicas. “Quando a pessoa tem uma convulsão, deve desapertar-lhe o colarinho e o cinto. Poderá ainda ajudá-la a não bater com a cabeça no chão e evitar um traumatismo, se colocar a mão debaixo da cabeça do paciente. Recomenda-se ainda o desvio de móveis e objectos que possam magoá-lo”, indica Francisco Pinto.
» Dirija-se ao hospital ou chame o 112, apenas se:
• Tiver uma primeira crise;
• A crise durar mais de cinco minutos,
• A respiração normal não recomeçar após as convulsões;
• Houver algum traumatismo ou ferimento decorrente da crise;
• As crises epilépticas se sucederem sem parar.
» Se o doente sofrer uma crise epiléptica como tantas outras, não é necessário chamar a ambulância ou ir ao hospital.
O que nunca deve fazer
» Nunca colocar nada na boca do doente;
» Nunca abandonar o doente antes que a crise passe;
» Nunca dar de beber e comer durante uma crise;
» Não puxar a língua para fora porque “anatomicamente, é impossível que a língua se enrole e obstrua a passagem de ar”, afirma Francisco Pinto;
» Evitar colocar uma colher na boca do doente porque pode partir-lhe os dentes;
» Não colocar os dedos na boca.

