50% dos portugueses precisam de óculos » Como se olha pela visão em Portugal
Metade da população portuguesa – cerca de cinco milhões e duzentos mil portugueses – tem, de alguma maneira, necessidade de usar óculos. O facto de não se fazer um diagnóstico atempado leva a que existam cerca trezentos mil olhos preguiçosos no nosso País, incluindo o estrabismo.
«Estes números são a evidência da necessidade de rastreios escolares, de modo a que o oftalmologista possa intervir na recuperação da visão de uma forma precoce e mais eficaz», sustenta o Dr. Florindo Esperancinha, oftalmologista no Hospital Amadora-Sintra e presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).
No que às doenças do foro oftalmológico diz respeito, prevê-se que entre 28000 a 38000 idosos portugueses possam vir a ser atingidos pela degenerescência macular relacionada com a idade (DMI). Esta doença, que até há poucos anos não tinha tratamento, «passa actualmente por uma revolução no campo terapêutico», como diz este oftalmologista, acrescentando que, «hoje em dia, já é possível tratar a forma mais grave da DMI».
O glaucoma é outra patologia da visão considerada perigosa, pois «rouba» a visão sem que o doente se aperceba. Mais de 100 mil portugueses são afectados por esta enfermidade e 30 mil têm, de alguma forma, cegueira irreversível. No entanto, «a oftalmologia portuguesa tem recursos humanos para responder a esta doença, que necessita de ser diagnosticada precocemente», como sustenta Esperancinha.
A diabetes, que atinge cerca de 500 mil portugueses, «é, a nível da oftalmologia, um problema de Saúde Pública a requerer programas de combate», defende este oftalmologista, que concretiza:
«As necessidades de tratamento com laser ultrapassam os 40 mil doentes, estimando-se que 1500 beneficiariam mais com a cirurgia. Temos tecnologia para controlar a doença, mas precisamos de mais recursos humanos, até porque novas terapêuticas estão a surgir.»
Seis em cada 10 pessoas, com mais de 60 anos, sofrem de algum tipo de catarata, o que, transposto para a realidade nacional, dá 170 mil pessoas afectadas. Em Portugal, operam-se perto de 25 mil doentes por ano.
«A catarata é, entre as patologias oftálmicas, a que mais beneficiou com a evolução tecnológica e a cirurgia é, na maior parte dos casos, feita em regime ambulatório», diz o mesmo especialista.
Estas serão algumas das doenças da visão discutidas no 48.º Congresso Português de Oftalmologia, que decorre de 7 a 10 de Dezembro, no Hotel Miragem, em Cascais. O glaucoma, a DMI e a diabetes ocular são as patologias mais incidentes e as que mais cegam.
Plano em prol da saúde da visão
Integrado no Plano Nacional de Saúde 2004/2010, está em curso um Plano Nacional para a Saúde da Visão, onde se está a elaborar estratégias e orientações técnicas para as diversas doenças que afectam a visão.
Segundo revela Florindo Esperancinha, «este plano é da responsabilidade de uma Comissão que já propôs a criação de um Observatório de Patologias, para melhor conhecermos o que se passa nas várias áreas de intervenção da oftalmologia».
E continua: «O objectivo final é a criação de serviços de oftalmologia, redes de referenciação, protocolos interserviços e programas para fornecer a todos os portugueses o que de melhor existe em termos técnicos.»
«A investigação oftalmológica em Portugal tem centros de renome mundial e a recente criação da Fundação Champalimaud, que nos seus estatutos privilegia a investigação em oftalmologia, é factor de satisfação para todos os que trabalham nesta área», assegura o presidente da SPO, que conclui:
«Portugal é um país que, no contexto europeu e mundial, se pode orgulhar dos recursos humanos e técnicos que possui em oftalmologia.» Mas: «Precisamos de mais organização e investimento na inovação.»
Números oftalmológicos
em Portugal
– Existem 750 oftalmologistas no País;
– 440 trabalham nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde;
– Cerca de 60 encontram-se em formação;
– 35% dos oftalmologistas têm mais de 55 anos;
– 64% dos oftalmologistas têm mais de 45 anos;
– Portugal tem dez milhões e quatrocentos mil habitantes, sendo o rácio de um oftalmologista para 15 mil pessoas (está próximo da média dos países europeus com densidade populacional idêntica).
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