10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental » O lado obscuro da mente
Na mulher, a doença inicia-se entre os 20 e os 30 anos. A prevalência nos dois sexos é idêntica, cerca de 1% da população, sendo mais grave a evolução no homem. Há, ainda, formas de esquizofrenia de início tardio, menos frequentes.
Ansiedade A ansiedade corresponde a uma reacção emocional extremamente comum.
José Manuel Jara considera que estar ansioso no sentido psicológico é reagir com activação emocional para melhorar a resposta numa situação de maior exigência, com risco de falhar. Esta reacção faz–se «com aumento da atenção e concentração e outros parâmetros biológicos neurovegetativos, como o aumento do tónus muscular ou o aumento do ritmo cardíaco».
Até um certo nível, esta activação psicobiológica é benéfica, na medida em que melhora a performance adaptativa numa situação de dificuldade. No entanto, a ansiedade torna-se patológica se exceder esse nível e funcionar com desgaste emocional improdutivo.
José Manuel Jara adverte que «será errado banalizar a ansiedade patológica como se fosse benigna, sem consequências, quase um modo de ser e estar na vida».
A ansiedade pode corresponder a uma perturbação emocional de adaptação ao stress ou a um conflito. Pode, também, ser expressão de um traço de personalidade, que se acentua a partir de uma certa fase da vida, com sintomas frequentes de preocupação e de receios por tudo. Pode, ainda, manifestar-se sob a forma de crises repetidas de pânico, com o medo súbito de morrer ou perder o controlo: resulta muitas vezes em medo de sair de casa, andar em transportes ou viajar.
Outras situações clínicas há em que a ansiedade se manifesta sobretudo na esfera da relação social, com inibição de contactos e grande mal-estar na relação social. E outras, como o stress pós-traumático, com o reviver intenso da experiência do trauma agudo, acidente, catástrofe, violência…
Procurar viver, recuperar a saúde José Manuel Jara afirma que «a possibilidade que o doente tem de levar uma vida profissional e afectiva normal depende da gravidade clínica, da forma de evolução, da eficácia e precocidade dos tratamentos e dos apoios que tem».
A esquizofrenia é uma doença mais grave, com consequências mais complexas.
«Mas muito depende do tratamento e dos apoios. Há diferentes graus de capacitação nos doentes que sofrem de esquizofrenia», indica o médico.
Muitos esquizofrénicos têm uma diminuição significativa do potencial adaptativo, que dificulta a vivência independente, bem como a adaptação profissional.
No caso das depressões, têm uma evolução e gravidade muito diversificadas. Há casos em que a depressão evolui para a cronicidade, resistindo aos tratamentos, o que dificulta a inserção social.
«Mas, na maioria das vezes, há crises das quais os doentes vão recuperando, sendo possível prevenir as recaídas com tratamentos apropriados, em que se incluem os medicamentos antidepressivos e os estabilizadores do humor», salienta o psiquiatra.
As perturbações ansiosas também podem ser muito incapacitantes para uma esfera da vida ou para as tarefas mais usuais. «Uma agorafobia grave, por exemplo, é muito incapacitante se não for tratada convenientemente», exemplifica José Manuel Jara.
As limitações geradas pelas perturbações ansiosas variam muito, em função da personalidade, do tratamento e da gravidade da perturbação.
Um factor essencial para aumentar as probabilidades de sucesso do tratamento é a predisposição do doente para cooperar no tratamento.
«Não é diferente de tratar um diabético ou uma situação de obesidade. A medicina baseia-se na relação médico-doente.
A adesão ao tratamento é um processo educativo que exige persistência. Para muitos transtornos ansiosos, o tratamento passa por uma reaprendizagem cognitivo–comportamental que tem de contar com a participação activa do sujeito. Em geral, nas doenças psíquicas tem de haver uma consciencialização progressiva dos meios de superação da doença, de readaptação à vida e de integração activa no meio social», conclui o psiquiatra.
Paula Cravina de Sousa

