HPV, género masculino
Tal como as verrugas, também o cancro genital masculino causado pelo HP V pode não apresentar sintomas. Mas é preciso que o homem esteja atento: no ânus pode haver sangramento, dor ou formação de pus, enquanto no pénis os primeiros sinais de doença oncológica são alterações na cor e espessamento da pele.
O HP V é transmitido por via sexual. O que significa que habitualmente os parceiros o partilham: primeiro, porque um parceiro infectado pode passá-lo ao outro sem saber (isto porque a presença do vírus nem sempre causa sintomas), depois porque não existe uma forma 100% segura de prevenção.
Como em qualquer outra doença sexualmente transmissível, o preservativo é uma boa defesa, mas não oferece protecção total uma vez que não cobre a pele em redor do pénis, mantendo a possibilidade de contacto – e de contágio – nessas áreas. Ainda assim, usá-lo é minimizar o risco, o mesmo se conseguindo limitando o número de parceiros sexuais.
São mais de uma centena os vírus da família HPV, a sigla em língua inglesa para Vírus do Papiloma Humano. Alguns deles, os de maior risco, estão associados a um dos cancros mais comuns na mulher – o cancro do colo do útero. E porque são de facto agressivos o rastreio faz parte dos exames ginecológicos de rotina, mediante a realização do chamado teste de papanicolau ou citologia.
Pela mesma razão, se investiu no desenvolvimento de vacinas vocacionadas para a prevenção entre as jovens.
Mas este não é um vírus exclusivo do sexo feminino. É, aliás, um vírus tão comum que se calcula que afecte cerca de metade dos adultos sexualmente activos. Não significa isto que contraiam alguma doença, apenas que, a dado momento da sua vida, estiveram em contacto com o vírus.
Nos homens, o que acontece com frequência é que o HPV não causa sintomas, pelo que se desconhece a existência de infecção. Porém, o risco de transmissão a um parceiro sexual – este é um vírus de transmissão sexual – está sempre presente. Pode acontecer, aliás, que o vírus se declare anos depois do contacto de risco, tal como pode acontecer que desapareça espontaneamente.
Cerca de 30 membros desta grande família de vírus estão associados a cancros genitais. O HPV-16 e o HPV-18 são responsáveis pela grande maioria dos casos de cancro do colo do útero na mulher e os estudos mais recentes indicam que poderão estar também na origem de cancro nos genitais masculinos.
Todavia, quer o cancro do pénis, quer o anal são raros, sobretudo em homens com um sistema imunitário saudável. Já em homens com as defesas comprometidas por doenças como a infecção por VIH/Sida a probabilidade é maior. E cresce mais em homossexuais e bissexuais activos.
Sinais do vírus
Mais provável do que estes tipos de cancro são as verrugas genitais. Causadas por vírus HPV menos agressivos, são erupções na pele que surgem nos genitais, neste caso o pénis, os testículos, as virilhas e o ânus. Algumas agrupam-se formando como que uma couve-flor, mas outras são tão discretas que passam despercebidas, confundindo-se com a pele saudável. Surgem no espaço de semanas ou meses após o contacto sexual de risco, mas não causam dor, o que aumenta a dificuldade em identificá-las.

