Herpes labial: Beijos, não obrigado!

Fica como que em espera. À espera de um qualquer factor desencadeante, que tanto pode ser a fadiga, o stress, febre, infecções, alterações hormonais ou um pequeno traumatismo nos lábios causado, por exemplo, pelo barbear ou durante um tratamento dentário.
As temperaturas também têm influência, na medida em que este vírus é sensível aos extremos: em períodos de muito frio ou muito calor tende a sair do seu esconderijo e a manifestarse. Daí que esta altura do ano, com o Inverno no auge, seja propícia a surtos de herpes.
Uma vez “acordado” o vírus, os sintomas podem aparecer ao fim de alguns dias, desenvolvendo-se por fases que podem durar oito a dez dias, com os episódios a serem diferentes de pessoa para pessoa, em duração e intensidade.
Antes dos sinais propriamente visíveis, a primeira das sensações é descrita como um formigueiro ou equiparada a uma picada ou queimadura. Todavia, entre 40 a 60 por cento dos doentes não passa por esta fase, avançando para a fase de eritrema, caracterizada pelo surgimento de zonas avermelhadas, acompanhadas de uma sensação de dor.
É nesses locais que vão surgir ligeiras elevações avermelhadas, resultantes da agregação de pequenas bolhas dolorosas e repletas de um líquido contendo milhões de vírus. Ao longo de um a dois dias, acabam por romper, libertando o líquido e formando uma ferida (úlcera). Esta é a fase em que há maior perigo de contágio. É também uma fase muito dolorosa, com o incómodo a diminuir à medida que a úlcera vai cicatrizando. A dor dá então lugar à comichão, mas a probabilidade de infecção diminui. Progressivamente, a ferida seca e o avermelhado da pele vai-se atenuando até deixarem de existir vestígios do herpes.
Tratar e prevenir o contágio
Existem medicamentos específicos para o herpes, como o aciclovir, substância activa que contribui para acelerar o processo de cicatrização e diminuir o incómodo causado pela doença.
Apresenta-se sob diversas formas: nos casos mais severos e recorrentes podem ser aconselhados comprimidos, mas para a generalidade das pessoas o alívio é produzido mediante a aplicação local de uma pomada ou gel.
Existem ainda pequenos adesivos que, ao mesmo tempo que atenuam os sintomas, ajudam a disfarçar as marcas do herpes. Outro medicamento para toma por via oral é o valaciclovir.
Outros cuidados devem ainda ser adoptados, sobretudo porque é fundamental minimizar o risco de contágio. Assim, importa evitar furar as vesículas, lavar as mãos após tocar nas feridas e evitar beijar ou falar muito próximo de outras pessoas. E, sempre que possível, há que evitar os factores que contribuem para reactivar o vírus.
O que, no caso do frio, não é fácil…
O tratamento precoce não produz apenas alívio físico. É igualmente essencial para minorar o impacto psicológico do herpes labial. Independentemente de se ser homem ou mulher, as vesículas que emergem em redor dos lábios não são agradáveis à vista. Causam desconforto e inibição nos contactos sociais, podendo repercutir-se na autoestima individual.
Porém, com os recursos disponíveis no domínio dos produtos farmacêuticos, já não razões para deixar de sorrir por causa do herpes. O que continua a não ser aconselhado é beijar…

