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Esclerose múltipla: Corpo sem controlo

31 Maio, 2017 0
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E tanto pode acontecer que esta perda de força muscular seja temporária, recuperando-se depois, como progressiva, sem recuperação. Ainda no que respeita aos movimentos, podem ocorrer dificuldades em manter o equilíbrio ou em coordenar as funções motoras. Isto acontece quando o órgão afectado pela inflamação é o cerebelo, a parte do “computador” que tem a missão de controlar os movimentos e corrigilos, se necessário.

Assim, o doente pode sentir um tremor na mão ao tentar agarrar objectos pequenos, como uma caneta, pode também começar a caminhar como se estivesse embriagado.

É também no sistema nervoso central que se localizam as células que avaliam o tacto, pelo que quando estas células estão inflamadas o resultado pode oscilar entre uma sensação de “encortiçamento” das pernas (como se a pessoa caminhasse sobre algodão), pele irritada, formigueiro ou picadas, até várias zonas do corpo simultaneamente dormentes.

Comuns são ainda perturbações da bexiga e dos intestinos, devido à dificuldade em controlar os músculos respectivos. Assim, os doentes com esclerose múltipla tanto podem sentir dificuldade em urinar ou em esvaziar completamente a bexiga, como sentir uma urgência em urinar, mal dão pelos primeiros sinais de a bexiga estar cheia.

São possíveis também alguns problemas com o controlo dos intestinos, nomeadamente obstipação. Quando isto acontece podem surgir igualmente problemas a nível sexual, tanto para os homens como para as mulheres. Para eles pode ser mais difícil obter ou manter uma erecção; para elas pode ser mais difícil obter um orgasmo, sendo também frequentes dores durante a relação sexual, perda de sensibilidade nos órgãos sexuais ou redução do muco produzido durante o coito.

 

Aprender a viver com a doença

Os efeitos da esclerose múltipla não são exclusivamente orgânicos, invadindo também a esfera psicológica. Assim, podem surgir problemas com a memória recente, com os doentes a sentirem dificuldade em concentrar-se, o que complica a realização de várias tarefas em simultâneo. O raciocínio e a rapidez na execução de tarefas mentais saem igualmente afectados.

Quanto ao humor, a depressão e uma jovialidade excessiva costumam andar de mãos dadas. Tendo de aprender a lidar com uma doença que acaba por ser incapacitante e danosa da qualidade de vida, o doente cai facilmente em quadros depressivos, que muitas vezes tenta iludir com uma aparente mas despropositada jovialidade.

É entre os 20 e os 40 anos que se manifesta mais frequentemente, mas a doença tanto pode começar na infância como na terceira idade. Não há uma evolução linear da esclerose múltipla, tudo dependendo do ritmo a que a mielina se vai deteriorando, assim como outros factores associados.

Todavia, é possível enquadrar quatro tipos, de acordo com a forma como os sintomas se manifestam. Assim, a esclerose múltipla pode manifestar-se em surtos, através da alternância de períodos de “ataque” e de períodos de recuperação. É assim com 30 a 35 por cento das pessoas afectadas.

Pode igualmente manifestar-se de uma forma progressiva, com agravamento gradual dos sintomas. Se no início se declararem surtos, mas depois as funções se forem perdendo gradualmente, está-se perante uma esclerose múltipla progressiva secundária, presente em cerca de 30 por cento dos doentes. Já se a perda de funções do corpo se manifestar desde o início, a esclerose diz-se progressiva primária e nesta situação encontram-se entre 20 a 30 por cento dos doentes.

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