Uma em cada cinco mulheres europeias é vítima de abuso, assédio, ameaças ou violência
ASSOCIAÇÃO DE MULHERES CONTRA A VIOLÊNCIA
A violência contra as mulheres tem vindo a ser uma prioridade em alguns países da União Europeia, tendo sido dado especial atenção à divulgação de informação e de promoção do conhecimento sobre esta temática.
A União Europeia reconhece, actualmente, que uma em cada cinco mulheres europeias é vítimas de abuso, assédio, ameaças ou violência por parte dos maridos, ex-maridos, companheiros ou outros membros do sexo masculino com os quais convivem no dia-a-dia.
Mesmo que nem sempre tenhamos consciência desse facto, a verdade é que todos nós temos contacto com algumas dessas mulheres, tanto a nível profissional como pessoal (vizinhas, conhecidas ou amigas).
A violência doméstica é um dos actos criminosos mais frequentes da nossa sociedade e, ao mesmo tempo, o menos divulgado. A pessoa abusada e o abusador foram ou são, de uma forma geral, ligados por uma relação muito próxima.
O impacto da violência é particularmente devastador e qualquer assistência do exterior deverá ser extremamente cuidadosa e sensível.
O silêncio e o secretismo que rodeia cada uma das situações torna mais difícil compreender a ligação entre os problemas das mulheres e o tipo de violência de que são vítimas.
No entanto, sabe-se que as mulheres vítimas de violência recorrem com muita frequência aos serviços médicos, quer por motivos médico-cirúrgicos, resultantes da violência, quer pelo impacto que a violência prolongada no tempo tem sobre a saúde física e mental.
Por outro lado, os profissionais de saúde são, de uma forma geral, os primeiros e, por vezes, os únicos a receber as mulheres vítimas de violência, o que lhes concede um lugar privilegiado, no sentido de disponibilizar informação especializada na área da violência, nomeadamente, sobre recursos na comunidade e, possivelmente, a oportunidade de, pela primeira vez, poder abordar o assunto da violência com ela.
A relação privilegiada e confidencial entre os pacientes e os clínicos é, por vezes, o único espaço em que as condições de confidencialidade e de confiança estão reunidas, de forma a permitir, à vítima, abordar o problema da violência.
Identificar a violência, interpretar os sinais clínicos e permitir à paciente falar da sua situação abre caminho a um acompanhamento médico mais focalizado e pragmático. Uma intervenção sistematizada, especializada e rápida, bem como a criação de protocolos de intervenção claramente definidos irão facilitar a resposta às necessidades das mulheres, bem como a recolha de dados fidedignos que são fundamentais para a intervenção de outros profissionais como, por exemplo, as polícias e os tribunais.
Os actos de violência tanto podem ocorrer nas primeiras fases da relação ou apenas passados alguns anos de vida em comum. Em alguns casos, há períodos de «paz» intercalados com períodos de violência. Noutros casos, as mulheres são alvo de violência dia após dia.
É fundamental que se reconheça o perigo que as mulheres correm e tomar as devidas medidas para garantir a sua protecção e segurança.
A violência contra as mulheres é um problema extremamente complexo. A diversidade de formas que a violência pode tomar constitui, por si só, um problema acrescido. Da sua «invisibilidade» ao homicídio existe um espectro muito variado, tecido e desenhado pelo agressor, que pode levar anos a ser detectado.
Tal realidade significa que cada situação requer um tipo de apoio particular e, em muitos casos, é necessário envolver muitas pessoas, muitos profissionais e diversas instituições.
Apoiar mulheres sobreviventes de violência exige interdisciplinaridade e cooperação, de forma a garantir a máxima segurança e protecção das mulheres e das suas crianças.
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