Arquivo de violência - Médicos de Portugal

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Múltiplos estudos de comunicação em saúde suge­<span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/rem';" onMouseover="fixedtooltip(10529, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">rem</span> que a vulgarização das cenas de violência gera crianças menos sensíveis à <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/dor';" onMouseover="fixedtooltip(4199, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">dor</span> e ao sofrimento dos outros. Gera crianças com medo do mundo que as rodeia e mais propensas a agredir outras crianças. O aumento do contacto com cenas violentas faz com que a criança reaja mais tardiamente a pedir ajuda ou a intervir para apaziguar uma luta entre outras crianças. Torna-as mais propensas a agredir os seus companheiros, a discutir e a desobedecer aos pais e aos professores, a deixar tarefas incompletas e a interpretar o mundo como um lugar perigoso e povoado por pessoas más. Para <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/complementar';" onMouseover="fixedtooltip(2723, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">complementar</span> estes dados, os ainda actuais trabalhos de Gerbner demonstraram a surpreendente incidência estatística de mais de vinte actos violentos por hora de emissão em amostras de 10 canais televisivos. <br /> <br /> Um outro investigador destes fenómenos de comunicação em saúde, Rowell Huesmann, constatou que as mulheres que se tornaram <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/f';" onMouseover="fixedtooltip(5165, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">f</span>ãs, enquanto crianças, de séries televisivas como os Anjos de Charlie ou a Supermulher, adqui­riram uma propensão para assumi­rem comportamentos agressivos e até violentos superior às jovens que não se envolveram, emocionalmente, com estas «heroínas».<br /> <br /> Apesar de toda a evidência empírica e científica, os operadores dos canais de televisão e os seus investidores continuam a tentar negar a relação entre o televisionamento de cenas de violência e o comportamento agressivo das crianças. Nesta negação são contrariados por muitos investigadores, a que me associo, modestamente, que afirmam que <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/h';" onMouseover="fixedtooltip(6002, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">h</span>á uma relação inequívoca entre os dois fenómenos!<br /> <br /> Michael Medved, um apresentador de televisão que tem apoiado campanhas contra a violência no ecrã da TV, escamoteou, em 1996, as grandes mentiras disseminadas pelos interesses televisivos no sentido de nos fazerem crer que não há perigo para as crianças. De entre várias mistificações denunciadas, chamo a atenção para <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/tr';" onMouseover="fixedtooltip(11858, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">tr</span>ês. <br /> <br /> Uma primeira refere-se ao argumento de que «não há provas de que a violência na televisão tenha efeitos negativos nas crianças». É falso. Há muitas provas, como refiro nos parágrafos anteriores e posso enviar aos interessados por correio electrónico.<br /> <br /> Uma segunda consiste na sugestão de que «a tele­visão reflecte a realidade». Ora, um outro estudo recente indica que, diariamente, entre as 18.00 h e as 22.00 h, das cerca de 350 personagens que aparecem nas séries televisionadas por cada canal, sete são assassinadas. Os autores estimam que, se a <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/taxa';" onMouseover="fixedtooltip(11170, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">taxa</span> de assassinatos na realidade fosse a televisionada, a população dos EUA seria reduzida em um terço da actual, em três anos.<br />





A União Europeia reconhece, actualmente, que uma em cada cinco mulheres europeias é vítimas de abuso, assédio, ameaças ou violência por parte dos maridos, ex-maridos, companheiros ou outros membros do sexo masculino com os quais convivem no dia-a-dia.<br /> <br /> Mesmo que nem sempre tenhamos consciência desse facto, a verdade é que todos nós temos contacto com algumas dessas mulheres, tanto a nível profissional como pessoal (vizinhas, conhecidas ou amigas).<br /> <br /> A violência doméstica é um dos actos criminosos mais frequentes da nossa sociedade e, ao mesmo tempo, o menos divulgado. A pessoa abusada e o abusador foram ou são, de uma forma <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/geral';" onMouseover="fixedtooltip(5778, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">geral</span>, ligados por uma relação muito <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/pr';" onMouseover="fixedtooltip(9619, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">pr</span>óxima.<br /> <br /> O impacto da violência é particularmente devastador e qualquer assistência do exterior deverá ser extremamente cuidadosa e sensível.<br /> <br /> O silêncio e o secretismo que rodeia cada uma das situações torna mais difícil compreender a ligação entre os problemas das mulheres e o <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/tipo';" onMouseover="fixedtooltip(11465, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">tipo</span> de violência de que são vítimas.<br /> <br /> No entanto, sabe-se que as mulheres vítimas de violência recorrem com muita frequência aos serviços médicos, quer por motivos médico-cirúrgicos, resultantes da violência, quer pelo impacto que a violência prolongada no tempo tem sobre a saúde <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/f';" onMouseover="fixedtooltip(5165, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">f</span>ísica e <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/mental';" onMouseover="fixedtooltip(10122, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">mental</span>.<br /> <br /> Por outro lado, os profissionais de saúde são, de uma forma geral, os primeiros e, por vezes, os únicos a receber as mulheres vítimas de violência, o que lhes concede um lugar privilegiado, no sentido de disponibilizar informação especializada na área da violência, nomeadamente, sobre recursos na comunidade e, possivelmente, a oportunidade de, pela primeira vez, poder abordar o assunto da violência com ela.<br /> <br /> A relação privilegiada e confidencial entre os pacientes e os clínicos é, por vezes, o único espaço em que as condições de confidencialidade e de confiança estão reunidas, de forma a permitir, à vítima, abordar o problema da violência.<br /> <br /> Identificar a violência, interpretar os sinais clínicos e permitir à paciente falar da sua situação abre caminho a um acompanhamento médico mais focalizado e pragmático. Uma intervenção sistematizada, especializada e rápida, bem como a criação de protocolos de intervenção claramente definidos irão facilitar a resposta às necessidades das mulheres, bem como a recolha de dados fidedignos que são fundamentais para a intervenção de outros profissionais como, por exemplo, as polícias e os tribunais.<br /> <br /> Os actos de violência tanto podem ocorrer nas primeiras fases da relação ou apenas passados alguns anos de vida em comum. Em alguns casos, <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/h';" onMouseover="fixedtooltip(6002, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">h</span>á períodos de «paz» intercalados com períodos de violência. Noutros casos, as mulheres são alvo de violência dia após dia.<br /> <br /> É fundamental que se reconheça o perigo que as mulheres correm e tomar as devidas medidas para garantir a sua protecção e segurança.<br /> <br /> A violência contra as mulheres é um problema extremamente complexo. A diversidade de formas que a violência pode tomar constitui, por si só, um problema acrescido. Da sua «invisibilidade» ao homicídio existe um espectro muito variado, <span class="tooltip" onClick="window.location='/glossario/tecido';" onMouseover="fixedtooltip(11183, this, event)" onMouseout="delayhidetip()">tecido</span> e desenhado pelo agressor, que pode levar anos a ser detectado.<br /> <br /> Tal realidade significa que cada situação requer um tipo de apoio particular e, em muitos casos, é necessário envolver muitas pessoas, muitos profissionais e diversas instituições.<br /> <br /> Apoiar mulheres sobreviventes de violência exige interdisciplinaridade e cooperação, de forma a garantir a máxima segurança e protecção das mulheres e das suas crianças.<br />


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