Depressão Pós-parto: Quando a fragilidade emocional das mulheres já vem de trás
A depressão pós-parto atinge cerca de oito a dez por cento das mulheres e, pode surgir depois do blues pós-parto, também conhecido por síndrome afectivo ligeiro pós-parto, que afecta entre setenta a oitenta por cento das mulheres. Conheça as principais causas da depressão pós-parto, aposte na prevenção e saiba como pode tratar esta doença afectiva.
Um elevado número de mulheres desconhece o que é a depressão pós-parto. Isto porque esta «surge frequentemente associada a uma doença psicológica que aparece de forma isolada numa mulher, que teve o seu bebé e desenvolveu este quadro de depressão a seguir ao parto», explica a Dra. Maria de Jesus Correia, psicóloga clínica do serviço de psicologia clínica da Maternidade Alfredo da Costa.
Segundo a especialista, é fundamental desmistisficar a ideia de que é comum uma mulher sem historial de depressão e que é emocionalmente estável vir a sofrer de depressão pós-parto. «Uma depressão pós-parto é uma depressão que surge na sequência do parto» e resulta de alguns factores predisponentes, principalmente, «de uma estrutura de personalidade emocionalmente frágil, com tendência à depressão», clarifica a especialista.
Porque surge a depressão pós-parto?
Essa compreensão da origem da depressão pós-parto baseia-se na análise dos vários casos que desenvolveram este quadro após o parto na Maternidade Alfredo da Costa e em outras maternidades. «Verificámos que a maioria destas mulheres já tiveram, antes da gravidez, episódios de depressão reactivos a situações de crise . Maria de Jesus Correia afirma que a depressão pós-parto pode estar relacionada com «dificuldades emocionais e/ou de relacionamento com o companheiro, ausência de projecto de gravidez e maternidade ou um parto ou recuperação complicada».
Um pós-parto “azul” não é depressão
Apesar de poder desenhar o ponto de partida para o possível desenvolvimento de um quadro de depressão pós-parto em mulheres frágeis do ponto de vista emocional, o blues pós-parto ou síndrome afectivo ligeiro pós-parto não deve ser confundido com depressão e não a provoca sempre, sublinha Maria de Jesus Correia. «O blues pós-parto é uma entidade psico-afectiva relacionada com alterações emocionais normais que decorrem do pós-parto.
A mulher apresenta oscilações de humor (tem vontade inexplicável de chorar, irrita-se com situações do quotidiano), é afectada por alterações dos padrões do sono (dorme muito ou tem insónia) e da alimentação (está com muito apetite ou não lhe apetece comer).»
O blues pós-parto costuma surgir no segundo dia de purpério (após o parto) e caracteriza-se por sentimentos de tristeza e vontade de chorar mas que são superáveis ao longo do dia. «De manhã, pode ter vontade de chorar, mas ultrapassa essa situação e consegue organizar-se e fazer a sua vida normal, mesmo que à noite lhe suceda o mesmo», explica a psicóloga clínica da Maternidade Alfredo da Costa.
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“Um turbilhão de emoções” nas 48 horas após o parto
A mulher apercebe-se – geralmente – já em casa da ocorrência de um conjunto de mudanças após o parto, “desde alterações hormonais, aos incómodos associados ao pós-parto (físicos e subida de leite), até à adaptação ao bebé», refere. A maternidade suscita uma mudança no estilo de vida da mulher, que deve agora preencher as expectativas sociais associadas ao novo papel social de mãe, o que gera por vezes o blues pós-parto. «Este quadro pode evoluir para uma depressão pós-parto, apesar de não a provocar necessariamente», esclarece Maria de Jesus Correia. O blues pós-parto pode durar entre uma a três semanas, mas regra geral vai desaparecendo.
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