Estratégia e Técnicas Cirúrgicas em Ortopedia Infantil
O exercício da Medicina é constituído por uma série de actos, em que, em cada momento, o Médico é confrontado com a necessidade de tomar uma “decisão”.
Mas o que é uma “decisão”? Decidir consiste em determinar o que se deve fazer e o que não se deve realizar, tomar partido sobre determinada opção ou pronunciar-se sobre uma determinada escolha e ser capaz de avançar com determinada medida ou ter discernimento para se abster.
Mas o tomar de uma decisão, como em tudo na vida, resulta do acumular de mini decisões e o Acto Médico em si não é mais do que uma sucessão de decisões tomadas quantas vezes em situações de incerteza.
A Consulta
O primado do exercício da Medicina assenta naquilo a que o uso designou por “Consulta”, que não é mais do que o “momento” em que o Médico recebe Alguém (em Ortopedia Infantil esse Alguém na maioria dos casos não é capaz de se exprimir e é representado pelos Pais) que lhe apresenta um problema que motiva apreensão e que pretende ver solucionado.
Sem procurarmos ser redutores, cada consulta representa, na generalidade, o encontro com uma Patologia e sua evolução natural, com um plano terapêutico e respectivo follow-up.
Em Ortopedia Infantil grande número de consultas tem por finalidade afirmar a normalidade e as boas condições de saúde do consultando.
O Ortopedista Infantil deve estar suficientemente preparado e ter conhecimentos tais, que lhe permitam conhecer as diferentes fases do crescimento e não deve por isso ceder à tentação de hipermedicalizar, tomando por patológicas situações que a evolução leva naturalmente à normalidade.
A Patologia
A segunda parte da nossa actividade é dirigida à Patologia. Todos sabemos que cada idade tem o testemunho de uma patologia específica e que cada patologia contém uma problemática própria no diagnóstico, no prognóstico e no tratamento.
Por todo este enunciado podemos avaliar a quantidade de opções que o médico terá de tomar – a catadupa de decisões, desde recolha da semiologia, à eleição dos meios complementares de diagnóstico, antes de chegar a uma conclusão para definir o plano terapêutico.
As afecções que ocupam o campo da nossa Especialidade não ameaçam, em regra, a vida mas afectam a autonomia tanto funcional como locomotora: a perda da preensão por lesão do membro superior ou da locomoção em casos de lesão dos membros inferiores.
A evolução destas lesões dependerá da incidência familiar, da expressividade da malformação, da sua reversibilidade e ainda do meio sócio-cultural da Família.
Aceitando como dado adquirido que cada Patologia coloca aspectos específicos no plano do diagnóstico, do prognóstico, da terapêutica e da evolução e que o médico tem conhecimentos para interpretar tal Patologia, a consequência lógica de uma consulta será informar convenientemente a dupla Paciente/Pais.
Informação à dupla Paciente/Pais – Consentimento Informado
:: Informar não será mais do que explicar correctamente a situação clínica, expor claramente as atitudes terapêuticas, as suas vantagens e inconvenientes, criando um ambiente propício ao consentimento da atitude terapêutica e ao estabelecimento da confiança Médico/Doente/Família.
:: Consultar será também tomar a decisão de resolver “o caso clínico” respeitando o doente e a sua opção, escolhendo a melhor oportunidade para o acto terapêutico.
:: Numa consulta de Neonatologia o importante será avaliar se o recém-nascido é normal, respondendo às habituais inquietações dos Pais ou definir, para cada caso patológico, o plano de actuação no futuro.
:: No domínio da Traumatologia teremos de entrar em linha de conta com a interrupção brusca da actividade de uma criança com plena saúde. As decisões terapêuticas não serão, em princípio, contestadas desde que se resolva a urgência aliviando a dor e fazendo a imobilização.
As questões surgirão depois com a definição do programa terapêutico ulterior e a calendarização da integração escolar e o retomar das actividades desportivas.
:: No âmbito da Patologia Tumoral as grandes dificuldades levantam-se relativamente ao risco de vida e aos critérios de cura, sendo secundário o prognóstico funcional.
:: Se a Patologia é infecciosa, os problemas põem-se essencialmente quanto ao mistério do aparecimento da doença e o risco de recidiva no Futuro.
Ainda que caracterizados sucintamente alguns aspectos de diferentes patologias, patologias que por distintas vão condicionar as mais diversas atitudes terapêuticas, tem o médico necessidade de definir o Plano Terapêutico, escolhendo a técnica ou técnicas mais adequadas que levem à resolução, em tempo útil, do quadro clínico em questão.
Se se trata de uma opção cirúrgica, deverá ser eleita aquela que traga benefícios evidentes em relação à obtenção terapêutica ou em relação ao tratamento ortopédico.
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