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Alimentar a aprendizagem

5 Outubro, 2009 0

O rendimento escolar também se alimenta: com uma dieta saudável, em que não podem faltar as proteínas e vitaminas e em que o pequeno-almoço é de ouro.

Uma alimentação saudável é essencial para o desenvolvimento físico e intelectual das crianças. Assim é desde a concepção, mas há idades em que assume particular importância.

Uma delas é o início da escolaridade, quando as crianças são sujeitas a um esforço intelectual acentuado, com a aprendizagem a requerer uma concentração diferente da habitual. Também a rotina das crianças muda, pois as suas actividades passam a estar guiadas pelo horário escolar.

É um admirável mundo novo o da aprendizagem, um mundo de descobertas e novas experiências mas também de desafios. É um mundo que precisa literalmente de ser alimentado, sob pena de as crianças não retirarem dele os melhores benefícios.

Está provado que o rendimento escolar anda de mãos dadas com a alimentação e, muito em concreto, com o pequeno-almoço. Chamam-lhe pequeno, mas devia ser mais valorizado pois cumpre dois objectivos importantes: o de aliviar o período nocturno de jejum prolongado e o de proporcionar a energia necessária para uma manhã de actividade, seja ela física ou intelectual.

Por estas razões não deve ser eliminado e muito menos nas crianças. Contudo, há muitas pessoas que não o tomam, por falta de hábito ou devido à pressa matinal. Mas ao prolongarem o jejum nocturno arriscam-se a uma baixa de açúcar no sangue (hipoglicémia), cujos sintomas vão do cansaço e sonolência à visão turva, das dores de cabeça à irritabilidade e alterações do humor, dos enjoos aos tremores.

Uma criança que vá para a escola sem ter tomado o pequeno-almoço é uma criança que, mais cedo ou mais tarde, irá manifestar falta de interesse pelas actividades propostas, redução na capacidade de atenção e memória, fraco desempenho e menor rendimento.

Estudos efectuados com alunos dos 9 aos 11 anos, saudáveis, demonstraram que aqueles que saltaram o pequeno-almoço aumentaram o número de erros e mostraram uma capacidade de discriminação mais lenta. Além disso, aqueles que tomaram o pequeno-almoço mais perto da hora dos testes tiveram melhores classificações do que aqueles que o haviam tomado muito cedo. Isto porque o cérebro é sensível a variações de curto prazo na presença dos nutrientes. Ou seja, a função cognitiva é influenciada pela alimentação.

O pequeno-almoço é, pois, decisivo para o processo de aprendizagem. Deve ser completo, equilibrado e variado, de modo a fornecer 25 a 30 por cento das calorias diárias. Deve incluir leite e derivados (pois fornecem proteínas, minerais e vitaminas), cereais integrais (de digestão lenta e saciantes) e fruta (uma peça ou um copo de sumo fornece vitaminas e fibras).

Depois desta refeição, as crianças não devem estar mais de três horas sem comer, o que significa que devem fazer um pequeno lanche – é esse, aliás, o papel do chamado leite escolar, introduzido há anos no ensino básico público.

Em circunstâncias normais, a alimentação deve fornecer todos os nutrientes de que as crianças precisam para crescerem saudáveis. Em circunstâncias muito específicas, porém, pode ser necessário colmatar eventuais défices nutricionais, com a ajuda de um suplemento. Todavia, só com avaliação e aconselhamento de um profissional de saúde, nunca por iniciativa própria.

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