Alimentar a aprendizagem
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Bem dormir para bem aprender
A ausência do pequeno-almoço é um problema comum entre as crianças em idade escolar. Outro é a escassez de sono. Basta olhar para o modo como, ainda a caminho da escola, cabeceiam e piscam continuamente os olhos. Alguns não resistem e acabam por pousar a cabeça entre os braços sobre o tampo da mesa, enquanto o professor explica a matéria do dia.
Quando isso acontece é sinal de que não dormiram o suficiente na noite anterior. Isso na melhor das hipóteses, porque casos há em que a sonolência diurna resulta de várias noites mal dormidas (leia-se com poucas horas de sono).
Contudo, o sono influencia o rendimento escolar, sendo determinante para a concentração nas aulas e para o desempenho nas tarefas propostas. Dificilmente se aprende quando o corpo pede descanso.
É que o sono é retemperador: é durante a noite que o corpo recupera do esforço dispendido durante o dia, de tal forma que os próprios ritmos fisiológicos (respiração, batimentos cardíacos, entre outros) abrandam. É uma pausa merecida e que deve ser respeitada. Não há um número de horas obrigatório para cada idade, até porque cada caso é um caso: há pessoas que precisam de dormir menos do que outras, mas quando se trata de crianças há um mínimo abaixo do qual não obtêm o necessário descanso.
O número de horas de sono diárias vai diminuindo com a idade: os bebés passam a maior parte do tempo a dormir e, progressivamente, vão aumentando os períodos de vigília até que na idade pré-escolar e escolar são precisas entre oito a dez horas por noite.
Em tempo de aulas, isto implica que se deitem relativamente cedo, o que pode não ser fácil. A hora de dormir é, aliás, motivo de tensão entre pais e filhos, com estes a regatearem sempre mais algum tempo para a televisão, os videojogos ou o computador.
Tanto mais agora que as férias mal acabaram mas já é preciso retomar o ritmo do ano lectivo. O ideal seria que uns dias antes voltassem a ser aplicadas as regras de todo o ano, num ajustamento progressivo ao que é saudável. São regras porventura mais fáceis de aplicar quando as aulas começam de manhã.
Já quando são à tarde, crescem os pretextos para ficarem acordados até mais tarde com o argumento de que se podem levantar também mais tarde. Mas não é saudável fazer deslizar a hora de levantar: é bom que haja um intervalo de vigília, para não se correr o risco de sair de casa à pressa, sem comer e, eventualmente, sem todo o material necessário.
Dormir é preciso e dormir o tempo suficiente ainda mais. Uma noite não retemperadora abre caminho a sonolência diurna, cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração, o que inibe a disponibilidade para aprender.
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De olho nos sentidos
A visão e a audição são dois sentidos essenciais à aprendizagem e, muitas vezes, é com a entrada na escola que se detectam problemas com eles relacionados. É que a necessidade de concentração põe em evidência eventuais dificuldades das crianças.

