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A mente pode prejudicar ou ajudar muito a vida sexual

19 Janeiro, 2007 0

Alguns estudos recentes comparam indivíduos sexualmente funcionais com os disfuncionais e analisam eventuais aspectos cognitivos que interferem na sexualidade. Verificou-se que a mente pode prejudicar ou ajudar muito na vida sexual. Ora veja!

É relativamente inegável a influência dos fenómenos de natureza cognitiva e emocional na determinação do funcionamento sexual, tanto nos homens como nas mulheres.

«De facto, sem minimizar o eventual contributo de factores de natureza diversa – onde se podem incluir as variáveis biológicas, socioculturais ou relacionais –, os resultados dos nossos estudos mostraram uma inequívoca contribuição de diversas variáveis de cariz cognitivo e emocional na explicação dos fenómenos de disfuncionalidade sexual feminina e masculina», afirma o Prof. Pedro Nobre, psicólogo e sexólogo.

A grande maioria dos estudos sobre estas matérias foi iniciada na segunda metade da década de 80, mas focou-se sobretudo no sexo masculino. Nos últimos anos começou a haver interesse em estudar os aspectos cognitivos relacionados com a sexualidade também nas mulheres.

«Os estudos que me pareceram mais interessantes são aqueles que se referem às crenças sexuais e às atribuições causais para o insucesso sexual, ou seja, quando um indivíduo tem um insucesso sexual atribui–o a causas internas pessoais ou a causas externas?», interroga-se o especialista.

Os sujeitos disfuncionais, em situação de insucesso sexual, têm tendência para activar esquemas pessoais negativos que os levam a atribuir a causas internas os fenómenos de eventual fracasso esporádico.

«Mais especificamente, tanto os homens como as mulheres disfuncionais tendem a interpretar as situações de insucesso como um sinal de fracasso e incompetência pessoal e pensam: “Sou incompetente”, “Sou fraco (a)”, “Sou falhado (a)”», refere o psicólogo.
Estes resultados, apesar de indicarem um interessante factor distintivo dos sujeitos disfuncionais relativamente à população considerada «normal», não explicam as razões subjacentes a esta activação de auto-esquemas negativos face a situações de insucesso ocasional.

«A nossa hipótese é a de que os sujeitos disfuncionais possuem um conjunto de crenças sexuais (desenvolvidas por processos de aprendizagem sociocultural e por experiências de vida pessoal) responsáveis pela interpretação dos fenómenos de cariz sexual, que os tornam vulneráveis ao desenvolvimento de disfunções sexuais», explica o sexólogo.

Os resultados dos estudos efectuados indicaram uma tendência por parte dos sujeitos disfuncionais para apresentar maior frequência de crenças sexuais que interferem na sexualidade.

«Especificamente, os homens do nosso grupo clínico mostraram possuir mais crenças relativas ao mito do “macho latino”. E pensam, muitas vezes, coisas do género: “Um verdadeiro homem tem relações sexuais com grande frequência”; “No sexo o que conta é chegar ao fim”;

“O sexo sem orgasmo nunca pode ser bom”; e crenças relacionadas com a satisfação sexual da mulher ou a sua reacção ao insucesso masculino: “O que mais satisfaz a mulher é a potência do pénis”; “A mulher pode duvidar da virilidade do homem sempre que este não consegue a erecção durante o acto sexual”; “Um homem que não satisfaça a mulher é um fracassado”», enumera Pedro Nobre.

Assim, parece ser compreensível que, perante situações de insucesso ocasional, os homens com este tipo de crenças tendam a activar significativamente mais esquemas de incompetência pessoal, o que era totalmente desnecessário.

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