Desidratação: Já bebeu água hoje?
A desidratação surge quando existe um défice de água no corpo, e em certos casos pode ser fatal. Como o risco aumenta com o calor, mesmo sem sede, beba água. Abundantemente…
Sabemos que aproximadamente 70% do nosso corpo é composto de água, que se distribui pelas células e pelo sangue, numa relação essencial à vida. O sangue contém apenas 8% da água total, mas trata-se de um peso que deve ser constante para que o organismo funcione bem. Os restantes 92% funcionam como reserva, numa dupla função: absorver a água em excesso no sangue ou a de lhe fornecer água se estiver em falta.
A água entra no corpo humano através do sistema digestivo, sendo excretada sob a forma de urina, através da transpiração (pele), respiração (pulmões) e até nas fezes. Diariamente, podemos perder vários litros de água, mas situações provocadas por calor, esforço intenso ou afecções digestivas (diarreia e vómitos) potenciam a perda de água.
O segredo está no equilíbrio. Uma pessoa saudável, com bom funcionamento renal e que não transpire excessivamente deverá ingerir, no mínimo, um litro de água por dia para compensar as perdas. A média recomendada de ingestão de líquidos diária deverá rondar 1,5 a 2 litros.
A ingestão adequada de água contribui para manter o volume sanguíneo e a concentração de sais minerais que, quando dissolvidos no sangue, ganham a designação de electrólitos. Quando os níveis de sais minerais sobem, sobretudo os do sódio, os rins retêm água de modo a diluir o sódio e o resultado é uma menor produção de urina e a sensação de sede. Pelo contrário, se os níveis descerem, os rins libertam mais água para restaurar o equilíbrio.
Ora, a desidratação é ameaçadora: a eliminação de água pelo organismo é maior do que a quantidade ingerida, com esta deficiência a provocar um aumento da concentração de sódio e outros sais no sangue. Nestes casos, o cérebro recebe os primeiros sinais e ordena beber mais líquidos para repor a água perdida. Se essa ordem não for convenientemente cumprida, a desidratação agrava-se, verificando-se um movimento da água desde o depósito entre as células até ao sangue. Esta é a forma natural de compensação, mas que é insuficiente se não houver aumento do fornecimento de líquidos. Os tecidos começam então a desidratar e as células encolhem e deixam de funcionar correctamente. As células cerebrais são das mais vulneráveis à desidratação.
Esta sensação do “corpo a secar” explica os principais sintomas da desidratação: boca seca, diminuição da quantidade de urina, menor produção de lágrimas, dores de cabeça, tonturas, fraqueza muscular, cansaço e, naturalmente, sede. À medida que o processo se agrava, os sintomas são acentuados e a sede torna-se intensa, a boca e as mucosas ficam extremamente secas, a urina é escassa e escura, o suor quase inexistente, a pele parece enrugada e perde elasticidade, os olhos ficam encovados, a pressão arterial baixa, os batimentos cardíacos aceleram, surgem estados febris, irritabilidade e, em casos mais sérios, podem ocorrer delírios e perda de consciência.

