Doença de Paget: Depressa demais
É demasiado depressa que se dá a renovação óssea de quem sofre de doença de Paget: o resultado são ossos frágeis e deformados. Uma situação mais comum à medida que se envelhece, tanto que o desconforto e a dor são encarados como próprios do envelhecimento.
Os ossos do corpo humano estão em renovação ao longo de toda a vida. E durante este processo contínuo o osso velho é substituído por osso novo a um ritmo equilibrado e que vai dando resposta às necessidades de crescimento.
Este metabolismo ósseo passa, naturalmente, despercebido. A não ser quando é perturbado. Quando a formação de osso novo se dá mais depressa do que o normal: é o que acontece a quem sofre de doença de Paget.
Desta renovação acelerada resultam ossos mais largos e mais frágeis, o que pode conduzir a deformações e fracturas. Esta doença é, aliás, a segunda patologia óssea mais frequente, a seguir à osteoporose. Todavia, é muito menos conhecida e diagnosticada.
Qualquer osso pode ser afectado, mas é mais comum que a doença se instale no crânio, na coluna, na pélvis ou nos ossos das pernas. Num ou em vários ossos, mas nunca em todo o esqueleto.
Não se sabe exactamente a razão desta distorção, com os cientistas a testarem várias hipóteses, nomeadamente a de que tem subjacente uma infecção viral nas células ósseas. Também a hereditariedade parece desempenhar um papel, tendo sido identificados genes que poderão ser responsáveis pela doença.
Apesar de se centrar nos ossos, esta patologia tem igualmente impacto ao nível das articulações, na medida em que há um desgaste acelerado da cartilagem – dor, inchaço e rigidez são queixas comuns. Os nervos também não são poupados: os ossos deformados acabam por comprimir os nervos mais próximos, causando uma dor mais intensa do que aquela que é típica da doença de Paget propriamente dita. E, dependendo dos nervos, pode haver outras consequências, como perda de audição, dupla visão, fraqueza, dormência e formigueiro dos membros.
A dor é o sinal mais evidente da doença de Paget, com a sua intensidade a depender do grau de deformação óssea. Há, no entanto, pessoas que não apresentam quaisquer sintomas, o que significa que os danos são ligeiros.
Para outras pessoas, o desconforto é encarado como normal, atribuído ao envelhecimento e, como tal, tolerado: assim acontece porque, de facto, a prevalência da doença aumenta com a idade, sendo mais comum a partir dos 40 anos.
Mas, quando há dor, ela não deve ser ignorada. É que, se não for tratada numa fase precoce, a doença de Paget pode complicar-se. A osteoartrite, uma doença degenerativa das articulações, é uma das complicações mais frequentes. A insuficiência cardíaca é outra, na medida em que o coração pode ser forçado a trabalhar mais para fornecer sangue às áreas afectadas – quem sofre de doença cardíaca corre naturalmente um risco acrescido.
Os problemas neurológicos ocorrem com frequência, uma vez que a deformação óssea exerce pressão sobre os nervos: o tipo de complicações depende da zona do corpo em que a doença se instalou.

