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Os alimentos transgénicos e a saúde pública

21 Julho, 2007 0

Uma das questões actuais mais fracturantes da nossa sociedade é a engenharia genética e o seu papel no desenvolvimento de alimentos transgénicos. Um alimento transgénico é genericamente definido como um qualquer alimento proveniente de um organismo geneticamente modificado (OGM) e a engenharia genética é a área científica que estuda e concretiza essas modificações biológicas.

A presente importância dos conhecimentos de genética e de biotecnologia na nossa sociedade é inegável, sendo cada vez mais patente o seu enorme potencial em diversas áreas de interesse público, tais como a saúde e a nutrição.

Os alimentos transgénicos

Nos anos 90 foi introduzido pela primeira vez no mercado dos Estados Unidos da América um alimento transgénico e, desde então, a investigação, produção e comercialização desse tipo de produtos têm vindo a aumentar consideravelmente.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4% do total de terra cultivável no mundo é actualmente ocupado por variedades transgénicas de espécies agrícolas como o milho, a soja, o açúcar, a batata ou o arroz.

A selecção e melhoramento tradicional das plantas sempre permitiram a transferência aleatória de genes e portanto de características tanto benéficas como prejudiciais ao nosso consumo e produção. Porém, os cientistas sabem agora o que querem melhorar e o que deverá ser modificado nos genomas de modo a que uma dada espécie apresente mais vantagens ao Homem, nomeadamente ao nível nutritivo.

O impacto na saúde pública

Através dos avanços na investigação e compreensão da nutrição humana, a relação entre a composição química dos alimentos e o estado de saúde e bem-estar do ser humano tornou-se evidente.

É agora reconhecido o papel de uma variedade de nutrientes, vitaminas e minerais na profilaxia de muitas doenças comuns nos países desenvolvidos, como o cancro, as doenças cardiovasculares, as condições inflamatórias e as doenças neurológicas.

Por outro lado, é comummente aceite que a subnutrição nos países subdesenvolvidos apresenta-se como a causa maior de morbilidade e mortalidade das suas populações. Por estas razões, um valor nutricional aumentado nas espécies agrícolas utilizadas tornou-se num objectivo há muito ansiado pelo Homem.

Os alimentos transgénicos poderão ser o veículo que conduzirá a humanidade a transpor esse sonho antigo, uma vez que já existe forma de induzir uma dada espécie a produzir algo que originalmente é produzido noutra espécie.

Arroz dourado reduz a cegueira

É um arroz que produz beta-caroteno e que é metabolizado pelo nosso organismo em vitamina A. Segundo a OMS, a carência de vitamina A verifica-se em 250 milhões de pessoas, principalmente no sudoeste asiático, e conduz anualmente à cegueira de cerca de 500 mil crianças.

A indústria biotecnológica alega poder introduzir uma série de nutrientes importantes para fornecer uma alimentação mais completa às populações, principalmente àquelas que dependem essencialmente de um só tipo de cultura, como é o caso do arroz.

O exemplo mais promissor deste novo conceito é o denominado arroz dourado, um arroz que produz beta-caroteno e que é metabolizado pelo nosso organismo em vitamina A. Segundo a OMS, a carência de vitamina A verifica-se em 250 milhões de pessoas, principalmente no sudoeste asiático, e conduz anualmente à cegueira de cerca de 500 mil crianças.

A inovadora aproximação do arroz dourado a este grave problema de saúde pública exige atenção e esforço por parte das autoridades mundiais, mas infelizmente muitos obstáculos têm sido colocados evitando assim que a sua implementação seja eficiente, segura e célere.

Outras aplicações na saúde pública

A progressiva sequenciação dos genomas de alguns organismos, auxilia a descoberta dos genes responsáveis pelas vias biossintéticas de importância nutricional. Com este conhecimento, estão a ser desenvolvidas variedades hortícolas com maior valor nutritivo, designadamente batatas mais ricas em proteínas essenciais ou trigo com menos alergéneos.

Também os alimentos naturalmente pobres em ferro poderão ser enriquecidos com genes que induzam a acumulação desse elemento na sua composição. A deficiência em ferro é a forma mais comum de subnutrição na população mundial, tornando-se mais dramática nas dietas pouco variadas, daí a crucial importância de enriquecer em ferro alimentos como o arroz.

Por outro lado, diversas plantas estão a ser melhoradas no sentido de produzirem ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa, existentes sobretudo nas gorduras dos peixes e que apresentam propriedades preventivas da aterosclerose e até de certos tipos de cancro.

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