Medicamentos antiepilépticos podem tratar 70 a 80% dos casos
Em Portugal, estima-se que 50 mil pessoas sejam atingidas pela epilepsia, cuja manifestação mais frequente são as crises epilépticas recorrentes. A epilepsia é uma doença crónica do sistema nervoso que se manifesta por ataques, que se verificam ao longo do tempo, e tem sintomatologia variada.
A maioria das vezes é ela própria um sintoma de que algo se passa no interior do cérebro, uma vez que um ataque epiléptico mais não é do que uma descarga eléctrica anormal neste órgão, afectando a rede de neurónios de todo o cérebro ou de apenas uma parte.
Esta patologia pode desenvolver-se em qualquer idade, mas o seu aparecimento é mais comum nas idades extremas da vida.
Os traumatismos do parto, as encefalites e as doenças infecciosas, que ocorrem nos primeiros anos de vida, podem ser causas de epilepsia, enquanto que, em anos mais avançados, a origem reside nos acidentes vasculares cerebrais (AVC). No entanto, existem «epilepsias» que não necessitam de tratamento, como as benignas da infância, que passam com a entrada na adolescência.
No entanto, quando a epilepsia é sintomática, isto é, quando a sua origem reside num problema de saúde primário, o tratamento é focalizado para a resolução deste problema. Porém, quando não há uma causa identificada, ou seja, idiopática, a terapêutica passa apenas pela administração de medicamentos antiepilépticos, que podem tratar 70 a 80% dos casos.
«Actualmente, os antiepilépticos são concebidos para provocar menores efeitos secundários e alguns deles são de toma única diária», explica o Dr. Francisco Pinto, neurologista dos Hospitais de Santa Maria e Fernando Fonseca.
Pode-se dividir a epilepsia em dois tipos: parcial e generalizada. Na primeira situação, a descarga está limitada a uma área cerebral. Na segunda, verifica-se uma descarga generalizada em todas as regiões do cérebro, com o ataque caracterizado pela frequente perda de sentidos e convulsões.
O diagnóstico da epilepsia é clínico e tem por base a notificação do ataque, pelo que a sua descrição é fundamental em termos médicos. Apesar de haver uma maior facilidade de acesso a exames auxiliares de diagnóstico, existem algumas limitações. «O electroencefalograma normal não exclui o diagnóstico», pois, reporta-se apenas a um período limitado de tempo, não captando a actividade das partes mais escondidas do cérebro onde ocorreu a descarga.
Vencer as dificuldades
Em virtude de uma encefalite vírica na infância, aos 16 anos, foi-lhe diagnosticada a epilepsia. Paulo Nuno Vieira, secretário da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE) e da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Pessoas com Epilepsia (EPI – APFAPE), é um dos rostos da doença. No entanto, apesar das dificuldades, nunca se sentiu alvo de discriminação:
«Nunca tive problemas, pois dei a conhecer aos meus familiares e amigos a doença que tenho. Todos me ajudaram imenso nas horas mais difíceis, ou seja, quando tinha crises em locais públicos.»
Quanto ao facto de a epilepsia ser uma doença incapacitante, Paulo contraria essa afirmação:
«De maneira nenhuma. A maior parte das pessoas com epilepsia tem as crises controladas pela medicação, o que lhes permite ter uma vida social e profissional totalmente normal. Outros casos são referentes a epilepsias mais difíceis de serem controladas, dado que pode haver outra doença associada.»
Contactos EPI:
Tel.: 22 605 49 59
www.epi.do.sapo.pt • epi-apfape@sapo.pt
EPI defende os direitos dos epilépticos
A Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Pessoas com Epilepsia (EPI – APFAPE) é uma associação nacional de defesa da pessoa com epilepsia, criada em Janeiro de 2006, cujo objectivo é representar e apoiar os 50 mil doentes em Portugal.
A EPI, em articulação com a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE), promove acções em prol de um desenvolvimento estruturado nas diversas áreas da epilepsia (intervenção a nível científico, social, formativo, educacional).
«A partir de agora, a forma de actuação da EPI vai ser obrigatoriamente diferente da LPCE. A acção será baseada numa continuidade do que a LPCE foi até aos dias de hoje, do ponto de vista social, apresentando maior proactividade e projectos», afirma Nelson Ruão, presidente da EPI – APFAPE, completando:
«A EPI acredita que o bem-estar da pessoa com epilepsia vai além do controlo das suas crises, sendo que a sua integração na sociedade, o direito ao emprego e o apoio às necessidade diárias específicas de uma pessoa com esta condição são extremamente importantes para complementar o trabalho médico.»
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