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Parkinson: Movimentos lentos e tremor das mãos

10 Março, 2017 0
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A Doença de Parkinson (DP) é progressiva ao longo de vários anos, sendo que na fase inicial, pode até ser difícil o seu diagnóstico clínico, dado que alguns dos sintomas são sobreponíveis com manifestações do envelhecimento. Os primeiros sinais da DP podem ser tão subtis quanto um ligeiro tremor nos dedos de uma mão ou de um braço.

Apesar do tremor de repouso ser o sinal que mais chama a atenção, a lentidão do movimento é o sintoma nuclear da DP. Posteriormente os doentes podem ter rigidez muscular, voz com tom monótono e mais baixo, postura encurvada. Com o avançar da doença, os doentes podem desenvolver marcha lenta e de pequenos passos, hesitação na marcha ou dificuldade em retomar o movimento.

Nesta fase, colocam-se problemas de equilíbrio e risco de queda. Para além dos sintomas motores, ocorrem muito vulgarmente sintomas não motores, tais como: obstipação, alterações do sono REM, disfunção sexual, alterações da cognição e depressão.

Dopamina em falta

Foi em 1817 que a doença foi identificada pela primeira vez, pelo médico inglês James Parkinson. Quase dois séculos depois, sabe-se que os sintomas se desenvolvem quando são danificadas ou destruídas determinadas células nervosas na região do cérebro designada por substância nigra. Em circunstâncias normais, essas células libertam dopamina, um químico que assegura a comunicação com outra região do cérebro, o corpo estriado. São esses sinais que permitem movimentos controlados dos membros, equilíbrio, postura e tônus muscular. Com o envelhecimento, há uma perda natural dessas células, mas nos doentes de Parkinson verifica-se uma perda acelerada, que ameaça a produção de dopamina.

A DP ocorre com maior incidência em pessoas idosas, o que faz da idade um dos factores de risco, mas não o único. Os jovens adultos também podem ser afectados, como atesta o caso do actor norte-americano Michel J. Fox, conhecido pelo filme “Regresso ao Futuro”.

Uma vez diagnosticada, o tratamento da doença passa  pela utilização da mesma substância que está em falta – a dopamina. O objetivo é fornecê-la ao cérebro em quantidades suficientes para controlar os sintomas, através de diferentes tipos de medicamentos. Naturalmente que, como quaisquer outros medicamentos, estes podem estar associados a efeitos laterais, sendo possível que ocorram movimentos involuntários dos braços ou pernas, sonolência súbita e alterações do comportamento.

Viver melhor, apesar da doença

A DP impõe limitações físicas que podem ser frustrantes. Daí que o tratamento contenha uma componente de cuidados que abarcam a fisioterapia, a terapia da fala, a terapia ocupacional e aconselhamento psicológico.

Como a DP afecta o quotidiano, há alguns gestos que podem facilitar a vida:

  • Corrija a postura enquanto caminha, procurando manter a cabeça e o pescoço alinhados com as ancas e os pés afastados um do outro;
  • Use sapatos confortáveis;
  • Remova os objectos que, em casa, possam constituir obstáculos à marcha;
  • Instale apoios junto à sanita e à banheira;
  • Use roupas fáceis de vestir e despir, por exemplo com elástico na cintura ou com velcro em vez de botões;
  • Pratique a leitura em voz alta;
  • Fale com o rosto virado para o seu interlocutor, se necessário um pouco mais alto do que o habitual;
  • Faça uma alimentação equilibrada;
  • Faça exercício físico adaptado com regularidade;
  • Informe-se sobre a doença e envolva-se nas decisões sobre o seu tratamento;
  • Não se isole.

(Com revisão científica: Sociedade Portuguesa das Doenças de Movimento.)

APDPk, em nome dos doentes

A 11 de Abril assinala-se o Dia Mundial da Doença de Parkinson, que se calcula afecte em Portugal cerca de 20 mil pessoas, estimando-se que este número cresça, dado que também a longevidade tem aumentado.

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