O homem pai no divórcio

O homem divorciado pode passar por fases distintas nesse processo. Primeiro celibatário, depois vive uma segunda adolescência, onde se entrega ao jogo de seduzir e ser seduzido, muitas mulheres a contar muito pouco. Mais depressa do que as mulheres, sente o vazio aumentar no abismo de tantas relações pelo que mais vezes recorre a um segundo casamento.
As estatísticas falam que o divórcio é pedido pelas mulheres em 80% dos casos, mas há mais mulheres divorciadas do que homens, contudo, estes recasam mais, talvez por estabelecerem relações mais dependentes, por quase sempre deixarem a casa e ficarem sem os filhos.
A separação acontece muito antes da decisão de divórcio. Há um divórcio psicológico antes do decisório e do judicial e, enquanto processo, é sempre uma crise e uma perda. Decorre do desfasamento nas vivências emocionais e na dificuldade em viver com as diferenças.
Os filhos são, tradicionalmente, entregues à custódia da mãe, com o pai relegado para segundo, às vezes terceiro planos, pois os avós sobrepõem-se-lhe. O pai, «inveja» à distância, uma rotina quotidiana em que não participa e, por isso, o faz sofrer.
É-lhe negado o direito de se queixar, pois tudo decorre da lei e é-lhe exigido que receba o que lhe quiserem dar e dê tudo o que tiver. Terá de ultrapassar a rejeição e encontrar uma cooperação possível com a mulher, mãe dos seus filhos, forma única de não perder o direito a eles.
O direito de visita, a pensão de alimentos e a convivência com o segundo cônjuge da mãe dos filhos resumem apenas alguns dos conflitos possíveis que terá de gerir até renegociar o relacionamento conjugal e parental, com novos papéis e novas fronteiras.
Temos, também, de enquadrar os novos «pais», não biológicos e criar leis que defendam os seus direitos nos segundos casamentos, onde tanto se envolvem, investem e trabalham, sem nunca poderem reclamar o direito a serem chamados de «pai». Sabe-se que os homens se ligam melhor às crianças com quem vivem e quando têm uma mulher a fazer a mediação, delineando as linhas de orientação através das quais vai pautar os seus comportamentos protectores.
Embora só muito raramente o divórcio acabe por ser um acontecimento positivo, também pode ser vivido como uma crise pessoal, com oportunidades e características exclusivas para o desenvolvimento de alguns indivíduos. Contudo, a maioria das vezes, é o acontecimento mais doloroso da vida do ser humano, logo a seguir à morte de um filho e aquele em que ninguém ganha e todos perdem muito.
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