As escolas são, cada vez mais, propensas a situações de violência. Agressões físicas e psicológicas, como o insulto, a provocação ou a marginalização, são uma realidade com maior risco num contexto de maiores pressões económicas e sociais. Diga não! ao bullying.
Quantas crianças são constantemente insultadas, agredidas ou excluídas das brincadeiras por outros colegas? Infelizmente, muitas. Cada vez mais. Nos corredores, balneários, recreios ou casas de banho, o bullying propaga-se, traduzindo relações complicadas entre pares. Já lá vão 18 anos desde que o psicólogo norueguês Dan Olweus definiu o conceito em três pontos: (i) o comportamento é agressivo e negativo; (ii) o comportamento é executado repetidamente; (iii) o comportamento ocorre num relacionamento em que há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
Esta violência é exercida como uma demonstração de poder, tanto por rapazes como por raparigas, ainda que eles e elas apresentem comportamentos de controlo distintos. O uso da provocação e da coacção física e psicológica é mais típica dos rapazes, ao passo que as raparigas tendem a recorrer a formas mais dissimuladas, como lançar rumores, agredir verbalmente e manipular.
Há mesmo jovens que são vítimas e agressores. Gozar, troçar, chamar nomes, dizer mentiras, espalhar boatos, fazer comentários e gestos ordinários, excluir das actividades de grupo intencionalmente, empurrar, puxar, bater são manifestações de bullying, com óbvios prejuízos para o desenvolvimento de agressores e vítimas.
Crescimento disfuncional
Ao contrário do que muitas pessoas admitem, estes comportamentos nada têm a ver com um normal processo de crescimento. Tantas vezes que as reacções a relatos e queixas é desdramatizar com expressões como “faz parte”, “são coisas de crianças”, “têm de aprender a defender-se” ou “eles entendem-se”. Só que o bullying extravasa as fasquias de agressividade razoáveis da infância ou das brincadeiras próprias destas idades.
É impossível legitimar os comportamentos de bullying, porque são perigosos ao perpetuar a violência. Desvalorizar as agressões é aceitar a violência, o que é nocivo numa altura da vida, como a infância e adolescência, em que se estão a formar personalidades.
Para a vítima, o bullying é devastador. Uma criança constantemente ridicularizada, agredida ou excluída sente-se mal, sabe que está a ser provocada mas nem percebe porquê. E sofre. E face à agressão pode evoluir para dois tipos de comportamentos: ou interioriza o papel de vítima ou veste a pele de agressor, provocando e agredindo outras crianças, num ciclo de degradação.
De uma forma ou de outra, a vítima cala-se, sofre em silêncio, seja porque tem vergonha, seja porque tem medo. A segurança e a auto-estima sofrem danos óbvios, com risco de escolhas perigosas, como o absentismo escolar, a experimentação e consumo do álcool e de drogas e actos delinquentes.
No limite, podem ocorrer tentativas de suicídio.
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Bullying é…
• Verbal: chamar nomes, ser sarcástico, lançar calúnias ou gozar com alguma característica particular do outro (“gordo”; “caixa de óculos”; “trinca-espinhas”)
• Físico: puxar, pontapear, bater, beliscar ou outro tipo de violência física
• Emocional: excluir, atormentar, ameaçar, manipular, amedrontar, chantagear, ridicularizar, ignorar
• Racista: toda a ofensa que resulte da cor da pele, de diferenças culturais, étnicas ou religiosas
• Cyberbullying: utilizar tecnologias de informação e comunicação (Internet ou telemóvel) para hostilizar, deliberada e repetidamente, uma pessoa, com o intuito de a magoar
Sinais de alerta
• Não ter vontade de ir para a escola
• Apresentar fracos resultados escolares
• Isolar-se
• Começar a gaguejar
• Mostrar angústia
• Deixar de comer
• Tornar-se agressivo
• Deixar de ter as suas economias (ou estas irem desaparecendo)
• “Perder”, constantemente, o almoço ou outros bens
• Começar a roubar dinheiro
• Ter medo de falar sobre o que se está a passar
• Ter pesadelos
• Tentar fugir
• Tentar o suicídio
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Como ajudar?
Os sinais de alerta são muito importantes. A mudança repentina na assiduidade e no desempenho escolar, a perda de apetite, sintomas físicos como dores de cabeça e de barriga, pesadelos, quebra de auto-estima e súbitas mudanças de humor são alguns dos principais sinais de alerta para pais e professores.
O reforço da ligação entre a família e a escola pode facilitar o combate ao bullying:
• Estar alerta para o problema
• Estar atentos a eventuais mudanças de comportamentos (isolamento, menor rendimento escolar, resistência a ir à escola…)
• Mostrar abertura para ouvir os filhos sem pressões ou crítica
• Promover a auto-estima
• Ensinar os filhos a identificar os actos de violência
• Incentivá-los a desabafar com um adulto em que confiem
• Ensiná-los a defender-se, mas não a responder com violência
Características dos agressores
Os adolescentes agressores têm, por norma, personalidades autoritárias, associadas a:
• Necessidade de controlar ou dominar
• Preocupação excessiva com a auto-imagem
• Fácil irritabilidade
• Empenho excessivo em acções obsessivas e/ou rígidas
• Elevada auto-confiança
• Dificuldade em ouvir “não”
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