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Vestuário para incontinentes urinários

1 Março, 2005 0

A sala panorâmica da Gare Marítima de Alcântara foi palco de uma original iniciativa, que procurou sensibilizar o público para uma doença que afecta mais de meio milhão de portugueses – nada mais nada menos que um desfile de moda protagonizado por mulheres entre os 45 e os 65 anos.

As criações foram especialmente concebidas para quem sofre de incontinência urinária.

O evento resultou da união de esforços entre a Associação Portuguesa de Urologia (APU) e a Associação Portuguesa de Neuro–Urologia e Uroginecologia (APNUG) para comemorar o Dia da Incontinência Urinária, assinalado a 27 de Janeiro.

De notar que as associações usufruíram do patrocínio do Ministério da Saúde, da Ordem dos Médicos e da Associação Nacional das Farmácias, tendo como apoios as casas C. R. Bard, Boehringer Ingelheim, Johnson & Johnson, Neo-
-Farmacêutica e Yamanouchi.

O desfile de vestuário para incontinentes não foi a única iniciativa que assinalou esta efeméride, comemorada no nosso País desde há três anos. Assim, com o intuito de divulgar, sensibilizar e informar a população sobre uma patologia que tem tratamento, foram distribuídos milhares de cartazes e folhetos informativos nos centros de saúde, hospitais, consultórios, clínicas e farmácias. Foi, também, criada uma linha azul informativa (808 201 978), para que os interessados coloquem questões sobre esta problemática. Entre outras acções, foi realizada uma conferência de imprensa na sede da APU em que vários especialistas se debruçaram sobre a realidade da incontinência urinária.

«A incontinência urinária é um importante problema de Saúde Pública, que afecta a qualidade de vida de mais de meio milhão de portugueses e tem um importante impacto psicológico, pessoal, profissional, familiar, social e económico», indica o Dr. Manuel Mendes Silva, presidente da Associação Portuguesa de Urologia, prosseguindo:

«É um problema, uma condição e uma doença, já assim considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que afecta sobretudo mulheres (na proporção de 2:1), mas também homens, sobretudo idosos, e também crianças e jovens adultos, associada ou não a outras doenças (neurológicas, por exemplo).»

Ainda de acordo com o responsável pela APU, «nos últimos anos, importantes avanços tem havido no tratamento da incontinência urinária, mas um diagnóstico preciso e o mais precoce possível é fundamental para uma terapêutica eficaz, pelo que há que informar, divulgar, sensibilizar, aconselhar, e há que perder vergonhas, preconceitos e tabus, e consultar o médico assistente ou especialista».

Acontece, no entanto, que nem todos os doentes recorrem ao médico para tratar este problema – apenas 10% o fazem –, o que significa que o número de incontinentes estimado deva ser bastante superior que os 500 mil.

Talvez a não procura de um clínico se deva ao facto de a maioria dos doentes ainda ignorar que esta doença tem tratamento. Na incontinência urinária de esforço, a taxa de cura é de 80 a 90%, enquanto que na incontinência de urgência essa taxa é de 40 a 50%.
Consoante os casos e as diferentes formas e tipos possíveis de incontinência, a terapêutica pode ser medicamentosa, instrumental, cirúrgica e, eventualmente, em último caso, com absorventes, pensos e fraldas.

«Algumas situações podem mesmo ser objecto de prevenção, e há que educar e insistir em correctos hábitos miccionais (micção frequente e completa) e também alimentares e intestinais, na reeducação pós-parto, na ginasticação do pavimento pélvico, na prevenção de deficiências hormonais e de iatrogenia médica e cirúrgica, e na prevenção nos idosos», adverte Manuel Mendes Silva.

As facetas da incontinência urinária

A incontinência urinária é a incapacidade de controlar o esvaziamento da bexiga ou de aguardar pelo momento e o lugar adequado para o fazer. Existem diversas formas e tipos de incontinência urinária. A saber:
– Incontinência ao esforço – pode acontecer com actos tão simples como rir, espirrar, tossir ou fazer ginástica.
– Incontinência por imperiosidade – é uma perda de urina acompanhada de uma vontade forte e urgente para urinar, que costuma ocorrer, por exemplo, por não conseguir ter tempo para chegar à casa-de-banho.
-Incontinência mista – tal como o nome indica, surge quando o doente apresenta as duas formas anteriores de incontinência urinária.
– Enurese – é frequente na infância e ocorre durante o sono. Geralmente, desaparece com o crescimento.

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