Residências podem ser uma solução para o idoso » Viver mais e com melhor
Numa sociedade como a nossa, em que cada vez se vive mais e até mais tarde, em que por isso estamos mais susceptíveis à perda de autonomia e vulneráveis à doença, deparamo-nos com uma carência de pessoas com formação adequada às necessidades do idoso e uma crescente indisponibilidade da família pela conjuntura social que se vive. Quem o diz é a Dr.ª Palmira Dias, membro da Sociedade Portuguesa de Geriatria (SPG), que se dedica à problemática do idoso há já vários anos.
O facto é que actualmente a vida dos familiares, que poderiam ajudar têm particularidades que não se compadecem com as necessidades prementes do idoso.
«Vivemos numa sociedade muito complicada em termos de trabalho, onde a falta sistemática aos deveres laborais põe em risco o nosso emprego», diz Palmira Dias.
Mas o problema coloca-se também no facto de o idoso necessitar de uma assistência específica para as suas dependências e patologias que, a maior parte das vezes, a família não consegue prestar porque não tem a tal formação.
«Gostaria que se fosse tendo uma educação durante a vida adulta para que as pessoas percebessem e aceitassem que o viver em comunidade, facultado por exemplo por estas novas soluções residenciais para o idoso, é completamente distinto de viver com o apoio da família», refere a nossa interlocutora.
E acrescenta: «O familiar pode ter boa vontade mas a verdade é que para levantar um idoso é preciso saber como se levanta se tiver, por exemplo, uma sequela de um acidente vascular cerebral (AVC).»
É preciso ainda considerar, segundo Palmira Dias, o cansaço psicológico da família depois de uma situação prolongada, que leva à irritabilidade e ao conflito. «Se estiver num local onde as pessoas estão preparadas para assistir e tratar o idoso, o familiar quando vai vê-lo está disponível física e psicologicamente, melhorando assim a relação entre eles», defende.
Para a pós-graduada em Geriatria, «a rotatividade de pessoal existente nesses locais são um factor importante para que tudo seja amenizado, compreendido e suportável porque é, de facto, muito difícil cuidar de um idoso».
«Não é por qualquer razão», continua, «que se tem a ideia que cuidar de uma criança é mais fácil e atraente». Mas, ressalva que «é muito atraente tratar de um idoso porque o carinho e o reconhecimento que estão implícitos numa boa relação de quem trata o idoso e o próprio são uma coisa verdadeiramente espantosa».
Outra vantagem das residências para os idosos que têm vindo a aparecer nos últimos anos é, de acordo com Palmira Dias, nunca faltar a empregada como muitas vezes acontece quando o idoso está em casa porque «a residência ou a instituição que gere a residência tem de superar as faltas dos funcionários, há sempre alguém disponível para fazer o que está contratualizado no papel».
A diferença significativa entre estas novas soluções residenciais e o conceito de lar é que alguns apoios técnicos especializados são obrigatórios nos lares e nas residências são contratualizados com instituições hospitalares ou clínicas privadas, tornando-se assim inacessíveis aos estratos sociais mais baixos.
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