Quando os alimentos são proibidos
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Produtos proibidos
No nosso país e na primeira infância predominam as alergias ao leite, ao ovo, ao trigo e ao peixe, tendo a maioria das situações resolução até à idade escolar. “Mais tarde, após a idade escolar, mais alimentos podem produzir alergias, as quais mais frequentemente irão persistir até à idade adulta”, diz-nos Mário Morais de Almeida.
Apesar de qualquer alimento ser capaz de originar uma reacção alérgica alimentar, um número limitado de alimentos é responsável pela sua maioria. “Os alergénios de origem animal que mais frequentemente desencadeiam alergias alimentares são as proteínas do leite de vaca, do ovo, do peixe, dos crustáceos e dos moluscos, sendo raros os sintomas associados a outros alimentos, como, por exemplo, as carnes. Os alergénios de origem vegetal mais frequentemente envolvidos pertencem ao grupo dos cereais, sementes e frutos secos, frutos frescos e legumes”, confere o imunoalergologista.
Ingestões acidentais podem estar na origem de reacções alimentares graves devido à “crescente utilização de alergénios, muitas vezes de forma oculta, em alimentos preparados, nomeadamente em estabelecimentos comerciais”.
Como diagnosticar?
Uma boa história clínica suportada e acessível através dos pais e, sempre que possível, com a criança permite chegar a um diagnóstico correcto. Posteriormente, são solicitados alguns exames que podem estar indicados de acordo “com o tipo de alergia que mais provavelmente está envolvida”.
Por exemplo, o especialista pode realizar “testes cutâneos, com extractos comerciais ou com os próprios alimentos, algumas análises específicas e, por vezes, exames endoscópicos do aparelho digestivo, com a realização de biopsias, conseguindo-se assim esclarecer a maioria dos casos”, refere Mário Morais de Almeida.
Com alguma frequência, acrescenta o coordenador da Imunoalergologia do hospitalcuf descobertas, podem ser executadas “provas de provocação alimentar em centros hospitalares especializados em doenças alérgicas, tal como acontece no nosso centro”. Podem ainda ser programadas reintroduções do alimento de modo a verificar se a tolerância alimentar foi alcançada.
Se a alergia da criança for muito grave e a ingestão de determinado alimento tiver ocorrido acidentalmente, “deve ser usada a caneta de adrenalina quando indicado e recorrer a um serviço de urgência. No caso de ainda não ser acompanhada, deverá ser referenciada de imediato para uma consulta de Imunoalergologia”, fundamenta Mário Morais de Almeida.
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Consciencialização e apoio
De acordo com o grupo etário da criança, a mesma deve intervir na consulta o mais precocemente possível para “colocar perguntas e dúvidas, compreender a situação, ser informada, esclarecida e educada”. Os especialistas sentem que, nas primeiras décadas de vida, estas crianças, com alergias mais graves, são extremamente protegidas pelos seus familiares e pelos dos seus amigos, por exemplo, em festas sem este ou aquele alimente porque “o menino tem alergia e pode ter uma reacção grave”.
A educação é a chave do sucesso. “Os doentes devem estar conscientes das suas próprias alergias, nomeadamente quando são formas graves de doença.” Por outro lado, além dos pais e da equipa de saúde, os professores e os outros profissionais de educação devem estar perfeitamente informados sobre a situação clínica das crianças, pois costumam ser “muito colaborantes na preparação da alimentação e das respectivas evicções, quer na dieta do dia-a-dia, quer em épocas festivas”.

