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Qualidade de vida dos seniores em Portugal » A importância das Universidades da Terceira Idade

9 Julho, 2007 0

Conclusão

Apesar do número reduzido de entrevistas realizadas não possibilitar extrapolar conclusões definitivas, podemos, no entanto, afirmar com alguma confiança que as actividades das UTI melhoram de facto a qualidade de vida ou a percepção desta nos seniores.

Resumo dos resultados de algumas perguntas do inquérito:
Pergunta/Grupo
Sentiu-se tão deprimido/a que nada o/a animava? (Nas últimas quatro semanas)
Sentiu-se feliz? (Nas últimas quatro semanas)
Como avalia a sua qualidade de vida?

Grupo A – Alunos
6% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
77% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
76% disseram que boa ou muito boa
Grupo B – Não-alunos
35% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
42% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
23% disseram que boa ou muito boa

De facto, dos não frequentadores, apenas 23% respon­deram ter boa ou muito boa QV contra os 76% dos alunos das UTI e 42% dos não frequentadores afirmaram que se sentem felizes (bastante tempo; a maior parte do tempo ou sempre), contra 77% dos alunos.

Quanto à sensação de depressão, a mais frequente perturbação psíquica nos idosos4, os nossos dados indicam-nos que 35% dos elementos do grupo B sentiam sintomas de depressão, contra 6% dos alunos. Esta dedução é apoia­da pela literatura existente, segundo Lopes5, «desempe­nhando a ocupação [dos tempos livres] e a actividade um importante papel na profilaxia das depressões», ou os idosos com maior depressão evidenciam menores índices de actividades de lazer e maiores índices de solidão4.
Estes resultados coincidem também com os obtidos por estudos semelhantes realizados no Brasil.

«E, com os resultados obtidos neste estudo, constatamos que a Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia contribuiu significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos seniores»5 e «os dados obtidos mostram uma resposta positiva do Programa da Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás, propiciando a melhoria no estado mental, depressão, stress e na qualidade de vida dos alunos, proporcionando-lhes mais anos de vida e com mais qualidade6».

Neste estudo, dada a exiguidade da amostra, não fizemos a correlação entre a idade, o sexo e o estado civil dos utentes. No entanto, Fernandes4 indica-nos que a depressão é maior nos idosos mais velhos, nas mulheres e nos solteiros/viúvos.

De salientar, nestes resultados, que em relação à percepção do estado de saúde as diferenças entre os dois grupos não são muito grandes (8% do grupo B acha que tem uma saúde muito boa ou óptima contra 12% do grupo A), o que provavelmente vem realçar a importância das actividades de lazer/ocupação e do convívio social na QV dos idosos.

Agradecimentos:

Agradeço a colaboração neste estudo da psicóloga Vanda Machado e às estagiárias da Escola Superior de Educação de Santarém e aos alunos das UTI participantes.

Bibliografia:

1 – Bowling, A, Measuring disease: A review of disease-specific quality of life measurement scales (2nd ed.). Buckingham: Open University Press, 2001.
2 – Jacob, Luís, Ajudantes de Seniores: Uma proposta de perfil profissional para as IPSS, Dissertação de Mestrado, ISCTE, Lisboa, 2004; 26.
3 – Victor C, Scambler S, Bond J, Bowling A. Being et al, Alone in later life: loneliness, social isolation and living alone, Revista Clínica Geronto, 2000; 10:407-17.
4 – Fernandes, Purificação, A Depressão no idoso, 2.ª Edição, Coimbra, Editora Quarteto, 2002.
5 – Lopes, J, As depressões nas idades tardias, Psicologia, 1988; 6: 2 175-195.
6 – Sena, Edite Lago et al., A influência da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia no processo de viver e envelhecer dos idosos estudantes/integrantes in Textos Envelhecimento, UNATI,vol. 6, n.1, Rio de Janeiro, Brasil, 2003.
7 – Loures, Marta Carvalho, Avaliação da depressão, do stress e da qualidade de vida em alguns idosos no início e final do curso da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás, Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasil, 2001.

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