Qualidade de vida dos seniores em Portugal » A importância das Universidades da Terceira Idade
Conclusão
Apesar do número reduzido de entrevistas realizadas não possibilitar extrapolar conclusões definitivas, podemos, no entanto, afirmar com alguma confiança que as actividades das UTI melhoram de facto a qualidade de vida ou a percepção desta nos seniores.
Resumo dos resultados de algumas perguntas do inquérito:
Pergunta/Grupo
Sentiu-se tão deprimido/a que nada o/a animava? (Nas últimas quatro semanas)
Sentiu-se feliz? (Nas últimas quatro semanas)
Como avalia a sua qualidade de vida?
Grupo A – Alunos
6% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
77% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
76% disseram que boa ou muito boa
Grupo B – Não-alunos
35% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
42% disseram que sempre, a maior parte do tempo ou bastante tempo
23% disseram que boa ou muito boa
De facto, dos não frequentadores, apenas 23% responderam ter boa ou muito boa QV contra os 76% dos alunos das UTI e 42% dos não frequentadores afirmaram que se sentem felizes (bastante tempo; a maior parte do tempo ou sempre), contra 77% dos alunos.
Quanto à sensação de depressão, a mais frequente perturbação psíquica nos idosos4, os nossos dados indicam-nos que 35% dos elementos do grupo B sentiam sintomas de depressão, contra 6% dos alunos. Esta dedução é apoiada pela literatura existente, segundo Lopes5, «desempenhando a ocupação [dos tempos livres] e a actividade um importante papel na profilaxia das depressões», ou os idosos com maior depressão evidenciam menores índices de actividades de lazer e maiores índices de solidão4.
Estes resultados coincidem também com os obtidos por estudos semelhantes realizados no Brasil.
«E, com os resultados obtidos neste estudo, constatamos que a Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia contribuiu significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos seniores»5 e «os dados obtidos mostram uma resposta positiva do Programa da Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás, propiciando a melhoria no estado mental, depressão, stress e na qualidade de vida dos alunos, proporcionando-lhes mais anos de vida e com mais qualidade6».
Neste estudo, dada a exiguidade da amostra, não fizemos a correlação entre a idade, o sexo e o estado civil dos utentes. No entanto, Fernandes4 indica-nos que a depressão é maior nos idosos mais velhos, nas mulheres e nos solteiros/viúvos.
De salientar, nestes resultados, que em relação à percepção do estado de saúde as diferenças entre os dois grupos não são muito grandes (8% do grupo B acha que tem uma saúde muito boa ou óptima contra 12% do grupo A), o que provavelmente vem realçar a importância das actividades de lazer/ocupação e do convívio social na QV dos idosos.
Agradecimentos:
Agradeço a colaboração neste estudo da psicóloga Vanda Machado e às estagiárias da Escola Superior de Educação de Santarém e aos alunos das UTI participantes.
Bibliografia:
1 – Bowling, A, Measuring disease: A review of disease-specific quality of life measurement scales (2nd ed.). Buckingham: Open University Press, 2001.
2 – Jacob, Luís, Ajudantes de Seniores: Uma proposta de perfil profissional para as IPSS, Dissertação de Mestrado, ISCTE, Lisboa, 2004; 26.
3 – Victor C, Scambler S, Bond J, Bowling A. Being et al, Alone in later life: loneliness, social isolation and living alone, Revista Clínica Geronto, 2000; 10:407-17.
4 – Fernandes, Purificação, A Depressão no idoso, 2.ª Edição, Coimbra, Editora Quarteto, 2002.
5 – Lopes, J, As depressões nas idades tardias, Psicologia, 1988; 6: 2 175-195.
6 – Sena, Edite Lago et al., A influência da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia no processo de viver e envelhecer dos idosos estudantes/integrantes in Textos Envelhecimento, UNATI,vol. 6, n.1, Rio de Janeiro, Brasil, 2003.
7 – Loures, Marta Carvalho, Avaliação da depressão, do stress e da qualidade de vida em alguns idosos no início e final do curso da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás, Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasil, 2001.

