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Problemas ortopédicos comprometem desenvolvimento físico da criança

7 Julho, 2009 0

Contrariamente ao que se pensa, as doenças musculoesqueléticas não são exclusivas da idade adulta. Nos primeiros anos de vida, podem surgir algumas deformidades congénitas que colocam em risco o desenvolvimento físico da criança. Mas, hoje em dia, já é possível corrigir grande parte destas complicações com uma elevada taxa de sucesso.

Até há bem pouco tempo, quem nascia com deformidades dos pés ou, por algum motivo, cambaleava estava “condenado” a usar as famosas botas ortopédicas. Este cenário mudou, graças ao aperfeiçoamento de técnicas de reconstrução ortopédica. “Actualmente, com gestos simples consegue-se introduzir pequenas alterações do crescimento das crianças”, diz o Dr. Manuel Cassiano Neves, director do Serviço de Ortopedia do Hospital D. Estefânia.

Hoje, sabe-se que algumas situações congénitas podem prejudicar o desenvolvimento da criança. É, por isso, importante que, desde cedo, os pais estejam atentos a eventuais alterações do sistema musculoesquelético para que estas possam ser corrigidas precocemente. Para tal, o ortopedista garante que rastreio de alguns problemas pode ser efectuado em três etapas da vida da criança.

“Até aos dois anos de idade, deve-se reparar se os pés da criança apresentam alguma deformidade, bem como as ‘pernas em cavaleiro’. Mais tarde, por volta dos 8 anos, o alinhamento dos membros é a segunda preocupação. Isto porque há crianças que não endireitam automaticamente as pernas em forma de X até esta idade. Na adolescência – a fase final de crescimento – há necessidade de redobrar os cuidados com a coluna vertebral.”

 

Nascer com deformidades ortopédicas

No grupo das doenças congénitas que mais afectam a população infantil estão as displasias do desenvolvimento da anca (luxação) e as deformidades do pé, nomeadamente o pé boto. Há, ainda, situações de torcicolo congénito que se conseguem observar em crianças que “andam sempre com a cabeça de lado”.

“O pé boto (vulgo torto) é uma deformidade grave, quando não tratada”, fundamenta o especialista. Os números indicam que esta situação ocorre em cada três casos por mil nascimentos. Para tratar o pé boto recorrer-se a “gesso envolvendo o pé e até à coxa”, já que a cirurgia “está confinada a uma pequena secção do tendão de Aquiles”.

No leque de malformações do pé aparece, ainda, o pé chato. Uma situação “benigna” que, até há uns anos, era “corrigida” com botas ortopédicas. “Estas ortoteses não têm uma acção terapêutica sobre o pé chato”, acrescenta o ortopedista. E adianta: “Sabe-se que 95% das crianças com o pé chato conseguem fazer uma vida perfeitamente normal na vida adulta, pelo que falar em tratamento desta patologia é algo controverso.”

O especialista refere, no entanto, que, hoje em dia, as malformações congénitas “têm diminuído”, em virtude de uma maior facilidade do diagnóstico pré-natal. Mas não só: “As melhores condições de higiene reduziram o impacto de infecções.”

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Escoliose afecta 30% das crianças

Quando surge numa fase precoce, a escoliose – uma afecção que consiste num desvio da coluna vertebral – tem repercussões no desenvolvimento da criança. Embora se possa imputar como causa o peso das mochilas e a obesidade, o especialista indica que, na maioria dos casos, a origem desta patologia é desconhecida.

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