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Problemas do sono: terrores e companhia

19 Maio, 2014 0

Os pais sabem bem como são aquelas noites em que mais parece que há “monstros no quarto”. Assustada a criança lança autênticos gritos de terror, senta-se na cama e agitada parece lutar com um qualquer inimigo.

Mas ao contrário dos pesadelos, vive tudo isto sem acordar. São os chamados terrores nocturnos, que fazem muitos pais passar noites em claro.

Tal como o sonambulismo e os pesadelos, os terrores nocturnos são uma parassónia, ou seja, uma ocorrência indesejada durante o sono. Relativamente raros, afectam apenas uma pequena percentagem de crianças, normalmente com idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos, e ocorrem normalmente durante o primeiro terço do período de sono. E apesar da sua natureza assustadora, sobretudo para os pais, os terrores nocturnos não constituem motivo de preocupação e são, muitas vezes, ultrapassados quando as crianças atingem a adolescência.

Mas até que passe, o que devem os pais fazer perante estes episódios? Se quanto mais se aproximam, mais a criança os afasta ou rejeita. Uma contradição que deixa os pais ainda mais à deriva. Surpreendemente, a melhor solução é mesmo não fazer nada e aguardar que passe.

Porque um terror nocturno não é um pesadelo, e ao contrário deste a criança não está a sentir medo.

De curta duração, que vai desde alguns segundos até poucos minutos, este transtorno passará como veio. Se tentar acordar a criança estará a interromper o ciclo do sono e poderá deixá-la desorientada. Sacudi-la ou gritar-lhe poderá agravar a situação.

Pelo contrário, em vez de a acordar, conforme recomenda o Dr. Mário Cordeiro, poderá reencaminhá-la para o sono, «reescrevendo» a história que a criança parece estar a viver. Dizendo, por exemplo, de forma suave e calma «e depois veio o Noddy e o Ruca (ou qualquer outra personagem preferida da criança), e mais o teu ursinho, e então os maus foram embora e foram todos fazer um grande ó-ó porque estavam muito cansados e foi muito bom». A ideia é que seja criado um momento tranquilizante para que a criança fique mais calma e volte ao ritmo de sono normal.

Sem forma de prevenir, dar à criança uma boa rotina de sono é já uma grande ajuda. Por isso é de evitar que a criança entre em fadiga extrema, pois esta interfere com o sono profundo e pode aumentar o risco de surgirem estes episódios.

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TERRORES NOCTURNOS NÃO SÃO PESADELOS

Os terrores nocturnos são diferentes dos pesadelos. O sonhador de um pesadelo acorda e lembra-se de pormenores, mas quem tem uma crise de terror nocturno prossegue adormecida. As crianças, geralmente, não têm nenhuma recordação dos seus terrores ao acordarem de manhã.

São também diferentes quanto à estrutura do ciclo do sono. Enquanto os terrores surgem mais nas primeiras horas de sono, pois acontecem nos períodos de sono profundo, os pesadelos acontecem na fase de sono REM (rapid eye movements) e geralmente são mais evidentes na segunda metade do sono, mais próximo da hora de acordar.

Em termos de comportamento, nos terrores nocturnos a criança não chega a acordar, mantendo-se numa fronteira entre o dormir e o estado de vigília, mostrando-se muito agitada. Quando o terror nocturno passa a criança volta a dormir normalmente, não se lembrando do que aconteceu. Já nos pesadelos a criança só acorda depois de iniciar as manifestações, pois o sonho evolui até se tornar suficientemente desagradável para provocar o despertar. Nestes casos, geralmente a criança lembra-se do que estava a sonhar.

A SUA CRIANÇA ESTÁ A TER UM TERROR NOCTURNO QUANDO:

Senta-se na cama | Grita ou berra | Dá pontapés ou murros | Transpira, respira pesadamente e tem o pulso acelerado | Tem dificuldade em despertar | Fica inconsolável | Sai da cama e corre pela casa | Demonstra um comportamento violento (mais comum em adultos) | Fixa com olhos esbugalhados.

DEVE CONSULTAR UM MÉDICO QUANDO OS TERRORES:

Se tornam mais frequentes | Perturbam recorrentemente o sono do seu filho ou o sono dos outros membros da família | Inspiram medo de dormir | Induzem a comportamentos perigosos ou ferimentos |Aparentam ter o mesmo padrão de todas as vezes que ocorrem.

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