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Menopausa : Olhar de frente para o diagnóstico

Menopausa. Osteoporose. Dois problemas que afectam milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta edição, damos-lhe conselhos essenciais para enfrentar melhor cada uma das fases da vida, sem deixar de olhar de frente para a prevenção, rastreios, diagnósticos e tratamentos à disposição.

Se aceder ao site www.spmenopausa.pt, pode ler “viva bem a terceira fase da sua vida”. Já pensou na força desta frase? Leia-a várias vezes, deixe os medos de lado e prepare-se para enfrentar a menopausa com tranquilidade. “É extremamente fácil. As mulheres devem continuar a fazer as suas visitas de rotina aos seus médicos assistentes e realizar os rastreios de saúde que, em idades mais avançadas, são cada vez mais importantes”, defende o Dr. Mário Sousa, presidente da SPM.

Muito antes de as mulheres entrarem na menopausa, deve começar por prepará-la modificando os seus hábitos e estilos de vida. “Só assim conseguirão prevenir a osteoporose e a doença cardiovascular, patologias associadas à carência estrogénica típica desta fase que estão a viver”, acrescenta. Nunca é demais repetir que os adequados estilos de vida – uma boa alimentação, prática de exercício físico, deixar de fumar, combater o sedentarismo e não beber – são essenciais para um envelhecimento de qualidade e para que as mulheres suportem muito melhor a menopausa.

“A Medicina Familiar deverá, por rotina, incentivar estas mulheres a manter um processo de vigilância e alertá-las para a necessidade ou não de recorrerem a tratamentos. Algumas mulheres têm receio dos tratamentos colocados à disposição nesta fase da vida porque há algumas ideias pré-concebidas sobre até que ponto os benefícios são superiores aos riscos (sobretudo nas terapias hormonais)”, alerta Mário Sousa.

“A sintomatologia vasomotora é a que deixa a mulher mais desesperada e a leva a fazer de tudo para diminuir os sintomas. Depois, os aspectos psicológicos, os comportamentos ansiosos e ou depressivos, o cansaço permanente sem justificação, a irritabilidade, as mudanças bruscas de humor, os esquecimentos fáceis são reconhecidos sobretudo pelos familiares próximos e constituem uma consequência da menopausa”, salienta Mário Sousa.

 

10 mil passos por dia

O exercício físico deve ser uma realidade na vida quotidiana das mulheres menopáusicas. “Poderão praticar aeróbica ou caminhada durante duas a três vezes por semana, entre 30 a 45 minutos”. O facto de se “mexerem” irá prevenir também a osteoporose e compensar a carência de estrogénios de certa forma a nível ósseo. Há ainda uma outra forma de controlar as suas caminhadas.

“Os estudos mais recentes apontam para um ideal de 10 mil passos por dia. Aconselho a que comprem um pedómetro. Se, ao fim do dia, chegarem a casa e só tiverem 5 mil passos, devem sair e caminhar até chegar à meta estabelecida”, explica o Dr. Nuno Nunes, nutricionista da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN).

Estabelecer objectivos semanais e ir superando-os aos poucos é o método mais eficaz. É ainda recomendado que suba escadas em vez de utilizar o elevador; utilize transportes públicos; deixe o carro longe do local de trabalho e realize pequenas tarefas e recados domésticos a pé em vez de levar o carro…

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Alimentação adequada

Durante a menopausa, deve ter em conta algumas necessidades especiais. “Comece por uma boa hidratação, através da adequada ingestão de água, chás ou tisanas”, conforme recomenda Nuno Nunes. As sopas constituem formas agradáveis de ingerir água, legumes e fibras em simultâneo.

Por outro lado, nesta fase da vida, deixa de haver produção hormonal normal e essa carência vai fazer com que haja uma perda de massa óssea acelerada. “É fundamental não esquecer a ingestão de alimentos ricos em cálcio, ideais para o combate da osteoporose”.

Nuno Nunes garante que, em relação à menopausa, “já existem alguns estudos interessantes sobre alguns alimentos que devem ser ingeridos nesta fase. Por exemplo, os brócolos, os rebentos de soja e o tofu. Estes produtos são ricos em fitoestrogénios e compostos por uma estrutura química muito semelhante aos estrogénios femininos e vão diminuir o impacto negativo da sua falta e essa transição é mais pacífica”.

 

A osteoporose pós-menopáusica

“A menopausa é a principal causa do aparecimento da osteoporose na mulher porque a perda de estrogénios provoca o aumento de perda óssea. Progressivamente, o osso vai-se deteriorando”. Quem o afirma é o Dr. Augusto Faustino, reumatologista e vice-presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

A osteoporose pós-menopáusica é a mais frequente e a que justifica todas as intervenções farmacológicas. No entanto, “pode prevenir-se de duas maneiras: em primeiro lugar, todas as mulheres devem continuar a fazer a terapia hormonal de substituição para travar e compensar a perda de massa óssea, desde que tal seja considerado seguro após uma avaliação médica realizada para o efeito.

Depois, há que identificar as mulheres que tenham factores de risco para a osteoporose pois a probabilidade de virem a ter fragilidade óssea e eventuais fracturas mais tarde está aumentada”. Nesses casos, deve procurar-se quem tem indicação para fazer o exame que define, de forma fidedigna, o diagnóstico – a densitometria.

 

Quando se deve realizar a densitometria óssea?

A primeira desintometria obrigatória deve ser realizada a partir dos 65 anos. “Antes disso, se a mulher apresentar factores de risco que o justifiquem, há que avançar com o pedido de exame.

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Hoje em dia, existe um instrumento interessante que está à disposição da nossa actividade clínica (o FRAX) que consiste num cálculo baseado em questões, disponível na internet. Introduzem-se os dados da doente através de dez perguntas, avaliam-se os factores de risco e se os indicadores forem muito altos, os médicos podem solicitar de imediato a densitometria.

As duas formas de diagnosticar (apenas com avaliação de factores de risco clínicos, ou com a associação a estes de um valor de massa óssea do colo do fémur) calculam com exactidão o risco de vir a ter nos 10 anos seguintes uma fractura de colo do fémur ou uma fractura osteoporótica major (punho, corpos vertebrais ou humero)”, confirma o reumatologista.

 

Tratar sem dramatizar!

As mulheres devem compreender que as terapêuticas são essenciais para uma melhor tolerância da menopausa e, em certos casos, da osteoporose menopáusica. “Há que desmistificar a ideia de que a terapia hormonal de substituição aumenta o risco da mulher vir a sofrer de cancro de endométrio ou da mama.

É mais grave deixar de lado a vigilância ginecológica e não fazer nada do que seguir a terapêutica sugerida por um médico especialista que já diagnosticou, com segurança, a sua necessidade para determinada mulher”, defende Augusto Faustino.

Para o Dr. Jorge Laíns, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR), “se uma mulher tiver uma probabilidade de risco de fractura a 10 anos, deve começar a tomar um anti-osteoporótico”. Por outro lado, a promoção da actividade física está directamente relacionada com o tratamento da osteoporose.

“Há uma panóplia de exercícios recomendados para estas doentes, como o treino de quedas, de equilíbrio – de forma a diminuir o risco – para passarem a ter uma maior sensibilidade das suas articulações (designada sensibilidade proprioceptiva).”

Em termos de actividade física, depende da patologia e de cada doente. “A natação, ao contrário do que a maioria pensa, não é o melhor tipo de exercício no caso de osteoporose, sendo mais úteis os exercícios feitos em carga, como por exemplo, caminhar”, explica o presidente da SPMFR.

Jornal do Centro de Saúde

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