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Lágrimas sem choro

Não estão a chorar, mas as lágrimas escorrem-lhes pela face: acontece assim aos bebés cujos canais lacrimais estão bloqueados. É uma situação comum nos primeiros meses de vida e, quase sempre, benigna.

Os olhos são estruturas complexas mas vulneráveis. Estão constantemente expostos a potenciais agressores, do pó às bactérias e vírus, bem como a uma infinidade de objectos capaz de causar-lhes danos. São as pálpebras e as pestanas que os defendem dessa ameaça potencial, funcionando como uma barreira.

E são também elas que, com o movimento, mantêm os olhos hidratados, impedindo que a córnea seque. Assim acontece porque trabalham em colaboração com o sistema lacrimal, composto por pequenas glândulas: umas produzem as lágrimas propriamente ditas, enquanto outras fabricam uma substância oleosa que se mistura com a parte aquosa das lágrimas, impedindo a sua evaporação.

São as pálpebras que movimentam as lágrimas sobre a superfície dos olhos, mantendo-os lubrificados e limpos. Além disso, as lágrimas possuem anticorpos que ajudam a manter os olhos a salvo de infecções.

Este movimento é constante e imperceptível, sendo estas lágrimas drenadas dos olhos através de canais que conduzem ao nariz: são pequenos tubos localizados no canto interno das pálpebras através dos quais as lágrimas passam, desembocando no saco lacrimal (entre os olhos e o nariz). Este caminho prossegue através do ducto nasolacrimal até à parte traseira do nariz.

Assim se explica que, quando choramos, também sentimos o nariz a pingar: é que o nariz não dá vazão ao excesso de lágrimas… Nalguns bebés, porém, este caminho é interrompido devido à obstrução congénita do ducto nasolacrimal: é que à nascença é comum que este canal não esteja ainda completamente desenvolvido, também podendo acontecer que seja mais estreito do que o habitual, em consequência do que a drenagem das lágrimas não se faz adequadamente.

Mais rara é a obstrução devido à permanência de tecido na extremidade do ducto: esse tecido costuma dissolver-se durante a gestação, mas pode acontecer que se mantenha depois do parto.

É, quase sempre, nas primeiras semanas de vida que se evidencia este bloqueio. Um dos primeiros sinais é o excessivo lacrimejar, mas não acompanhado de choro: ou seja, um ou ambos os olhos estão cheios de lágrimas, mas o bebé não mostra desconforto.

Pode acontecer também que acorde com um ou ambos os olhos colados (um pouco como se tivesse conjuntivite): nas pálpebras e pestanas nota-se uma substância espessa e viscosa, mas sem qualquer outro sinal de infecção.

 

Massagens para desobstruir

Esta é uma situação geralmente benigna, mas a infecção pode espreitar. Vermelhidão no canto interno do olho e uma ligeira inflamação na zona lateral do nariz são indícios a considerar. Aliás, se o olho ficar vermelho, se o bebé o esfregar com insistência ou aparentar dor, se mostrar sensibilidade à luz ou resistir a abrir o olho há que recorrer ao médico.

Nas demais situações, o bloqueio do ducto nasolacriminal tende a desaparecer, o que normalmente acontece antes de o bebé completar um ano. É, no entanto, possível acelerar este processo: é esse o benefício das massagens. Com as mãos lavadas, coloca-se o indicador na zona lateral do nariz e vai-se pressionando na direcção descendente.

Este é um gesto que pode ser feito várias vezes ao dia, complementado com a aplicação de compressas mornas sobre o olho, de modo a estimular a drenagem.

As massagens são úteis mesmo quando há infecção: nesta situação, poderá ser prescrito um medicamento de aplicação tópica – gotas ou pomada – mas que não tem impacto na obstrução.

Por vezes, a drenagem das lágrimas permanece dificultada para além do tempo considerado normal. Nessa situação, o médico pode considerar adequado agir cirurgicamente sobre o bloqueio, o que é feito introduzindo uma sonda no canal por forma a alargá-lo.

Obstruções mais resistentes podem justificar uma intervenção mais específica. A obstrução do ducto nasolacrimal não é exclusiva dos bebés: pode acontecer também em adultos, devido a infecção, trauma ou tumor. Tratar a causa subjacente é então a alternativa para impedir que as lágrimas continuem a escorrer pelo rosto sem que haja razão para o choro.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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