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Um momento essencial ao equilíbrio da mamã e do bebé

Terminada a gravidez e ultrapassado o parto, as inquietações de qualquer mulher continuam. A preocupação com a recuperação física e emocional passa a ser permanente. A fisioterapia é uma excelente alternativa para que as mamãs esclareçam algumas dúvidas, exercitem o corpo e aprendam a amamentar e a fazer massagens ao bebé. A fisioterapeuta Fátima Sancho dá-lhe conselhos úteis para que viva em pleno a melhor fase da sua vida!

A gravidez é acompanhada por um misto de emoções. O parto é o culminar de alguma ansiedade vivida ao longo de nove meses em que se idealiza como será o bebé. Por outro lado, os primeiros dias depois do nascimento do bebé caracterizam-se geralmente por um corrupio de situações que não afectam só a mãe como também o recém-nascido. “Desde a real incapacidade de os pais decifrarem alguns dos códigos que o bebé emite, à dificuldade na amamentação, à insegurança, ao mal-estar da mãe, tudo acontece com grande intensidade especialmente nas primeiras semanas de vida de um bebé”, salienta Fátima Sancho, fisioterapeuta e presidente do Grupo de Interesse de Fisioterapia na Saúde da Mulher da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas.

Se durante a gestação, os pais do bebé já haviam sido acompanhados em sessões de fisioterapia, é sempre mais engraçado e mais fácil a interacção se continuarem com o mesmo grupo de pais e o mesmo durante a fase do pós-parto. “Nestas primeiras semanas, o que os pais precisam é de ter alguém que lhes assegure que aquilo que eles estão a fazer está correcto e que ensine desde logo à mãe como poderá evitar os seus maus estares especialmente a nível do peito e da zona do pavimento pélvico”, defende Fátima Sancho. Irá também ser muito útil ensinar a mãe a posicionar-se o mais adequadamente enquanto está a amamentar o seu bebé não só porque as suas costas irão agradecer-lhe como também o seu filho que, se estiver bem posicionado, terá também um melhor acesso à mama, o que lhe facilitará uma melhor pega a mamar.

 

Recuperação da mulher no seu todo

Todas as mães são boas candidatas à recuperação pós-parto. “É essencial que a mãe recupere dos nove meses de gravidez e do próprio parto. Ao contrário da gravidez, o período que a mãe fica em casa após o nascimento do seu filho é um período muito solitário pois, na maioria das vezes, os amigos e a família estão a trabalhar e daí a enorme necessidade e mais-valia de a mãe se integrar num grupo onde haja outras mulheres/mães na mesma situação”, defende Fátima Sancho. Desengane-se se pensa que estas sessões significam apenas “abdominais, pesos e halteres”. Toda a recém mamã terá aqui a oportunidade de recuperar no seu todo, ao nível físico, mental e social. Fátima Sancho assegura que “quando uma mãe vem fazer a recuperação pós parto é avaliada individualmente no início e geralmente é integrada num grupo de mães e bebés com a mesma idade para que o acompanhamento seja feito de acordo com o desenvolvimento de cada um. Só o facto de a mãe estar inserida num grupo com outras mães na mesma situação, é um elemento precioso para o equilíbrio das mesmas”, acrescenta a fisioterapeuta.

Pode ser ainda necessário um acompanhamento individualizado em situações muito específicas, como por exemplo, as dores nas costas intensas, as perdas de urina, as dores e dormências nas mãos, entre outras. “Nestes casos, iremos fazer uma abordagem individual onde irão ser feitos exercícios específicos para a resolução das queixas apresentadas”, refere Fátima Sancho.

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Bebés são convidados de honra

Geralmente, o fisioterapeuta que trabalha na recuperação pós parto convida os bebés para frequentarem todas as sessões. São eles que comandam as hostes e orientam o plano de trabalhos. “Se o bebé está bem e acordado, começamos por ensinar as mães a fazer massagem ao bebé que ajuda não só a diminuir as cólicas, a melhorar o sono, a facilitar a absorção dos alimentos e ainda contribui para uma maior ligação entre pais e filhos”, esclarece a fisioterapeuta. Alguns dos exercícios que a mãe faz podem ser executados com o bebé em simultâneo, o que constitui um grande desafio e divertimento para ambos.

 

Dúvidas a colmatar

Todas as recém-mamãs têm dúvidas que persistem ao longo do tempo. “Irei ficar sem barriga? A minha pele deixará de estar flácida? O meu peito ficará maior ou menor? O meu peso regredirá?”. Estas são algumas das questões que mais inquietam as recém-mamãs. “Todas estas alterações são perfeitamente normais pois durante nove meses o corpo foi sofrendo modificações que não regridem no minuto a seguir ao nascimento do bebé mas que levarão alguns meses a acontecer”, esclarece Fátima Sancho.

Para que todo este processo decorra da melhor forma, é também importante que a mulher mantenha uma alimentação equilibrada – que na maioria das vezes já tinha adquirido na gravidez – que faça exercício e que tente repousar sempre que possível. “As recém-mamãs devem aproveitar todas as ajudas externas que possam surgir nomeadamente (avós, irmãos ou amigos)”, conclui Fátima Sancho.

 

Exercícios aconselhados por Fátima Sancho

– Os exercícios preconizados para uma fase do pós parto variam de acordo com a condição da mãe, com o tipo de parto, e de quando decorreu o parto.

– O início dos exercícios pós parto deverá ocorrer por volta das 5/6 semanas pós parto, segundo o que está definido pelas guidelines nesta área.

– A primeira preocupação do fisioterapeuta em termos de exercícios, é o de estabelecer um programa de treino para os músculos do pavimento pélvico mesmo que o parto tenha sido por cesariana pois são dos músculos que mais sofrem durante a gravidez devido ao aumento do peso do bebé e que necessitam de recuperar a sua força e função a 100%, o que leva habitualmente cerca de 6 a 7 meses.

– O treino dos músculos do pavimento pélvico poderá iniciar-se logo que a mãe se sinta confortável para os fazer.

– Irão também ser feitos exercícios específicos que ajudem a estabilizar toda a zona da bacia como os músculos do abdómen, das costas e dos membros inferiores. Para além destes e porque ao longo da gravidez a mulher sofreu alterações em todo o seu corpo, irá beneficiar de exercícios gerais de mobilidade, alongamento, respiratórios e também de relaxamento.

– Todos os exercícios podem ser realizados em casa. Geralmente, o maior problema, não está na dificuldade dos exercícios mas sim na disponibilidade para os fazer pois o bebé ocupa grande parte do dia da mãe.

Para mais informações, aceda ao site www.fatimasancho.com

Jornal do Centro de Saúde

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